São Paulo Setecentista

SAÚDE

“Uma mulher com um braço podre“ foi a primeira paciente do Hospital da Santa Casa de Misericórdia, inaugurado em 1715. Ficava próximo à antiga igreja da Misericórdia, na esquina das atuais ruas Direita e Álvares Penteado. Financiava o novo hospital “o rendimento das tumbas e entradas dos irmãos e outras esmolas”.
Os olhos das autoridades tentavam estar sempre vigilantes em favor da saúde da população paulistana. Foi assim que, em 1750, detectou-se um caso de lepra. No ribeiro Saracura – hoje, subterrâneo no começo da avenida 9 de Julho — cujas águas abasteciam o público, costumava banhar-se um casal de ciganos. Leprosa a mulher, ambos foram proibidos do banho.
Infatigável era a Câmara Municipal no combate aos focos de doença. A 6 de fevereiro de 1734, o procurador daquele órgão, Estevão Raposo da Silva soube “por pessoas zellosas do bem comum que muitos moradores do termo desta cidade, com muito má consciência, mandavão cortar, ao povo della, as rezes que morião de peste e outros males contagiozos, em grande damno do bem comum e que para se atalhar este inconviniente, requeria se passar um edital para qualquer pessoa destas de que ouvesse notícia fazerem semelhantes ensultos, fossem punidas.”
Grassava a bexiga. Em 1736, resolveram “os oficiais da câmara consignar caza fora desta cidade para os bexiguentos que de hoje em diante cahirem feridos dellas por estarem sem cômodo os sítios que tinham consignados para elles”. A casa ficava na distante localidade de Nossa Senhora da Luz. O Pacaembu também abrigou os doentes. Prova de que a cidade crescera. Antes, exilavam os bexiguentos em seus limites, as ruas Tabatinguera e São Bento.
Cinco anos antes, entretanto, até mesmo a Câmara não funcionara direito por causa da bexiga. A 18 de agosto de 1931, registrou-se “os vereadores Mathias Cardoso e Francisco Aurélio de Syqueira Lopes que se achavam auzentes com pavor das bexigas.” A 20 de outubro do mesmo ano consgna-se na ata que “avia mais de três semanas se não tinha feito vereação por causa de nam aver officieaes para isso”.
Não dá para admirar a incidência de doenças, dadas as condições lamentáveis de higiene. E a população não colaborava. Em pleno coração da cidade, perto da igreja do Colégio, reinava a imundície. No dia 20 de setembro de 1722, declarou o licenciado João de Vasconcelos Leitão, o almoçatel de serviço “que a elle foram denunciados Antonio da Fonseca, o padre Antonio Nunes Maria de Lara, o ajudante Antonio José Mendes, a viúva do defunto Luiz Gonçalves, Jerônimo Pinheiro, João de Toledo, Filipe Mendes, Manuel Pinto, Salvador Fernandes, Sebastião Henriques, o padre mestre frei Ângelo, o capitão-mór Pedro Taques de Almeida, Branca da Silva dona viúva e Anna do Espírito Santo, por todos botarem o lixo e immundicies no logar por onde passam águas para o quintal dos reverendos padres da Companhia, que é defronte João Teodoro"..


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO

Esta página foi produzida por Maturidade Vídeo e Editora