Rua Boa Vista, por volta de 1910. Assinalados: á esquerda, o sobrado da redação do jornal Fanfulla, onde, em agosto de 1896, realizou-se a primeira exibição de filmes. Ao fundo do jornal, o barracão do Frontão Boa Vista. À direita, o prédio do Hotel Bella Vista
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Foto de cima, o Teatro Santana. Embaixo, como ficou o local após a demolição do teatro, em 1912, para a construção do atual viaduto Boa Vista


Trecho da rua Boa Vista, em 1920


Prédio da Eclética, pioneira das agências de publicidade, em 1920


A atual rua Três de Dezembro não fazia esquina com a rua Boa Vista mas era apenas o seu início que, partindo da rua XV de Novembro, como um cotovelo, dobrava-se para continuar. Foto de 1923


Na esquina da rua Boa Vista com a ladeira Porto Geral, o teatro Boa Vista foi inaugurado em 1914. Projeto de Giulio Micheli

Rua Boa Vista


Foi na rua Boa Vista que os paulistanos tiveram, em agosto de 1896, sua primeira exibição de filmes. À esquina da ladeira Porto Geral, número 48 antigo da rua, havia um sobradão que o fotógrafo francês George Renouleou alugou para uma temporada cinematográfica pioneira.
E se a rua Boa Vista, no seu futuro, jamais chegaria a ter um cinema, tornou-se na ocasião, um pequeno centro exibidor de filmes. Excursionando por São Paulo, o ilusionista francês Faure Nicolay trouxe um aparelho de projeções para apresenta-lo, em 1897, no Teatro Apolo, que ficava onde está hoje o viaduto Boa Vista.

SANTANA

O Teatro Apolo surgiu em 1873 com o nome de Teatro Provisório Paulista. Dezoito anos depois sofre uma reforma e passa a chamar-se Minerva. Com uma completa transformação sofrida em 1984, ganhou a denominação de Apolo.
Comprado mais tarde, juntamente com outras construções vizinhas, pelo futuro conde romano Antonio Álvares Penteado, o Teatro Apolo foi demolido para dar lugar ao Teatro Santana. Na nova casa, entre as apresentações das companhias líricas italianas e das revistas brasileiras, fizeram-se algumas sessões cinematográficas.

FRONTÃO

Já o sobradão da esquina com a ladeira Porto Geral nunca mais voltou a ver filmes. Não deixou de ser, todavia, um ponto de entretenimentos. Na sua parte traseira, a 10 de fevereiro de 1898, foi o inaugurado o
Frontão Boa Vista
. O frontão (pelota basca) concorreu, de início, com o cinema, pela preferência popular. Era um jogo que permitia apostas e despertava muito entusiasmo na recentemente chegada comunidade espanhola. Por isso, o Frontão Boa Vista tornou-se um ponto de encontro de espanhóis ,às vezes, chamado de “antro de jogatina”.

JORNAL

Os espanhóis divertiam-se, os italianos trabalhavam. Isso, pelo menos acontecia no sobrado da esquina da rua Boa Vista com a Porto Geral. É que a parte de frente da casa servia de redação para o jornal, em língua italiana, Fanfulla , de grande penetração na época.
Muitos anos depois, no lugar do velho sobradão, o Jockey Club construiu o seu edifício-sede.

VISÃO

Daquele lugar, e de outros pontos da rua Boa Vista, tinha-se uma bonita visão da Várzea do Carmo, do Brás, da Mooca, da Vila Maria, no tempo em que esses lugares ostentavam ares campestres.
Eis a provável origem do nome da rua, imutável desde que apareceu nos primeiros documentos, no início do século XVIII. Ao contrário da maioria das outras ruas centrais de São Paulo, a Boa Vista nunca mudou de nome.

SABOR

A Boa Vista poderia ter sido chamada também de “Bom Sabor”, se dependesse dos estudantes da Faculdade de Direito, nos meados do século XIX. Na rua, então, moravam as irmãs Lessa, afamadas doceiras da cidade. Para as suas “opas”, as festas de confraternização, os estudantes recorriam às Lessas que preparavam, com mãos de fadas, geléias, pudins, bolos e confeitos. As encomendas, porém, deviam ser feitas com, no mínimo, sete dias de antecedência, tão meticulosas na sua arte eram as irmãs.

HOTÉIS

Ao alvorecer do século XX, a Boa Vista tinha nas suas extremidades dois hotéis, o Paulista, no começo, o Hotel d'Oeste, no final. Um terceiro, o Hotel da Bella Vista, ficava-lhe ao meio. O Hotel da Bella Vista tornou-se célebre em São Paulo, e não só pela sua especialidade. Nele trabalhou uma camareira, Lina Machiaverni (Nenê Romano), cuja estonteante beleza acabou-a por levá-la à morte e ao suicídio do seu assassino, de importante família paulista.

CONFIGURAÇÃO

Contudo, a configuração da rua Boa Vista, à época, era diferente. Formava quase um semicírculo, ao sair da rua XV de Novembro para, dobrando-se como um cotovelo, prosseguir pelo trajeto atual. Antes, a parte anterior ao “cotovelo” chamava-se Travessa da Boa Vista, mas depois tudo se tornou território da rua Boa Vista.

VIADUTO

Em 1912, o Teatro Santana foi demolido para que fosse construído o Viaduto Boa Vista. Deu-se assim a mudança de configuração da rua Boa Vista, com a extensão atual até o Pátio do Colégio, mas amputada do “cotovelo” que a ligava à rua XV de Novembro. A parte amputada ganhou autonomia rebatizada de rua Três de Dezembro. A perda do Teatro Santana, entretanto, foi compensada com a construção do Teatro Bella Vista, propriedade do jornal O Estado de S.Paulo, inaugurado em 1914, também na esquina com a ladeira Porto Geral, mas do outro lado em que ficava o Frontão Boa Vista.

PUBLICIDADE

Pode-se também considerar a rua Boa Vista como pioneira em atividades publicitárias nos moldes parecidos aos de hoje. Lá se desenvolveu A Eclética, talvez a primeira agência de publicidade a funcionar, mais ou menos, assemelhadamente, às suas congêneres atuais.


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO

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