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Alaor Marcondes Torres de Queirós

Depois de assistirem à exibição de vários aeronautas estrangeiros, os paulistanos aplaudiram com muito orgulho Alaor Marcondes Torres de Queirós, o primeiro brasileiro a sobrevoar São Paulo num balão livre, a 25 de janeiro de 1906. Com o balão Cruzeiro do Sul, Alaor partiu do Velódromo Paulista, localizado no começo da rua Consolação, atingiu até 1.400 metros de altura, para pousar suavemente na Vila Mariana. Durante o seu trajeto, ele jogou cartões numerados que davam direito a uma caixa de charuto Caçador e a 500 cigarros Aspásia.
Natural de Jambeiro, Estado de São Paulo, nascido a 7 de dezembro de 1881, Alaor não dispunha ainda de conhecimentos técnicos suficientes para a façanha a que se propôs. Sua grande coragem, levou-o, porém, ao desafio, com o balão emprestado do amigo Oswaldo Sampaio.
Alaor não sabia sequer, comentou-se na ocasião, se o tubo existente debaixo do balão deveria ser aberto ou fechado, para possibilitar sua ascensão. Na dúvida, ele arriscou a abri-lo, seguindo apenas a opção que lhe ocorreu no momento.
Outras cidades, como Santos, também receberiam o Cruzeiro do Sul e seu comandante para exibições a públicos sempre entusiasmados. Naquele mesmo ano, entretanto, Santos Dumont ganhou os ares parisienses com o seu 14-Bis, e as notícias do feito começaram a minar o interesse popular em torno do balonismo, com a entrada da aviação no foco das atenções.
No dia 7 de janeiro de 1910, o engenheiro francês Dimitre Sensaud de Levaud, morador em Osasco, então município de São Paulo,usando um aeroplano construído por ele próprio, realizou um vôo de pouco mais de 6 segundos. Foi o primeiro vôo de aeroplano registrado em São Paulo.
Na ocasião, a cidade já tinha uma instituição cujo nome, Aero-Clube de São Paulo, era apenas uma fachada para um luxuoso local de jogos de cartas, sem o registro de nenhum piloto entre os seus sócios. Com o provável objetivo de abafar as críticas às suas reais atividades, — e numa prova de seu desconhecimento acerca da conquista de Sensaud de Levaud — o Aero-Clube, ainda em 1910, instituiu um prêmio de cinco contos de reís para o primeiro aviador que voasse em São Paulo.
Dois pilotos italianos, Natale Ruggerone e Giulio Picollo chegaram em à cidade no final do ano, com o propósito de realizar um vôo conjunto marcado para o começo de 1911. Ao tomar conhecimento do prêmio oferecido, Picollo procurou adiantar-se ao patrício, e logo marcou um vôo com saída do Velódromo Paulista.
O local, porém, se servira para a ascensão de balões, tornava-se pouco adequado para as operações necessárias à decolagem de um aeroplano. Além de suas dimensões reduzidas, o Velódromo era circundado por um grande arvoredo. Após dar a partida, Picolo percebeu que iria de encontro ao arvoredo e realizou uma manobra para a descida. Com o avião bem próximo ao solo, ele se atirou, mas o fez de tal maneira que acabou por fraturar o crânio. No dia seguinte, Piccolo morreu. Dias mais tarde, Ruggerone, decolando de um local mais bem apropriado, o antigo Prado da Mooca, na rua do Hipódromo, conseguiria abocanhar o prêmio, passando a ser oficialmente considerado o primeiro piloto a voar em São Paulo.
Para Alaor Marcondes Torres de Queiroz restara, porém, o desafio de ser o primeiro brasileiro a pilotar um aeroplano dentro do seu próprio país. Já com vistas, provavelmente a essa conquista, ele que fôra o primeiro brasileiro a dirigir um balão livre, tomara algumas lições rápidas de pilotagem,com o próprio Picollo. Depois da morte do italiano, ele não hesitou em adquirir o seu aparelho acidentado, um Bleriot de 50 HP, no qual fez vários reparos. Marcou seu vôo para o dia 1 de junho de 1911, no Prado da Mooca. O aparelho, entretanto, quando chegou a apenas trinta metros de altura, caiu. Gravemente ferido, Alaor morreria dois dias depois. Levou para o túmulo outro título que certamente jamais desejara: o do primeiro brasileiro morto num desastre aéreo.


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