O Largo do Ouvidor (1914)

O atual largo do Ouvidor, que, Capamente, se chamou largo do Capim, foi, no século passado, o ponto preferido pelos condutores de carros de boi, para estacionamento de seus veículos, quando chegavam transportando produções dos sítios circunvizinhos.
Em 1854, chegou a ser de tal monta o número de veículos estacionados, que a Câmara resolveu proibir o abuso, ordenando, aos seus fiscais, a aplicação de multas aos que ali fossem encontrados.
Nesse local, bem em frente à igreja de São Francisco, existiu uma cruz de pedra de cantaria, que foi retirada em 1870, visto não mais possuir um dos braços, pois, certa vez, um estudante da Faculdade de Direito nela trepou, a fim de discursar, provocando, com esse gesto, a sua mutilação.
Vários estabelecimentos deram vida ao largo do Capim. Entre estes, O Corvo, popular cervejaria pertencente ao alemão Henrique Schomburg, cuja principal clientela era formada pelos estudantes de Direito, que ali, entre rodadas de cerveja, promoviam animadas sessões literárias, declamando versos de Álvares de Azevedo, Paulo Eiró e outros poetas prediletos da época.
Ocupando o sobrado, onde antes havia funcionado o Hote1 dos Viajantes, na esquina do largo do Ouvidor com a rua José Bonifácio, foi, por volta de 1860, instalado o Hote1 Palm; anos depois, no mesmo prédio, teve o seu escritório e a sua loja a firma Theodor Wille.
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