As Ladeiras do Ouvidor e de
São Francisco (1916)

Estas duas íngremes ladeiras paulistanas, que convergem para a praça da Bandeira (antigo largo do Piques) ainda hoje apresentam aspectos arquitetônicos que relembram a São Paulo do século XIX, quando, então, juntamente com a ladeira Dr. Falcão Filho, ali bem próxima, eram as únicas vias de acesso para aqueles que demandavam a cidade, procedendo dos bairros do Chá, Consolação, Arouche, Santa Cecília, e outros, que ficavam do outro lado do vale do Anhangabaú.
A construção do viaduto do Chá terminada em 1892, tirou grande parte do movimento das referidas ladeiras, mas não impediu que ali continuasse a florescer um comércio de certa ordem, durante o dia, e outro, à noite, diferente, exercido pelas inquilinas dos vários sobrados ali existentes, destacando-se, entre eles, o que ficava na convergência delas, de propriedade de um conhecido sacerdote italiano, o padre Pascoal.
Outro personagem que morou nas suas redondezas, celebrizando, com os seus escritos, aquela parte da cidade foi Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado, cujo humorístico Diário do Abax'o Piques, reproduzia o linguajar dos italianos dali, italianos estes que, aos poucos, iam se enriquecendo e se tornando importantes . . .
A estampa, acima, apresenta as ladeiras de São Francisco e do Ouvidor, em 1916, quando ainda predominava, o aspecto que as caracterizara no século XIX.
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