O Tradicional largo da Memória (1925)

O largo da Memória, com as suas duas ladeiras — a do Paredão (hoje rua Quirino de Andrade) e a da Memória — é um dos pontos mais evocativos das tradições paulistanas.
Até a inauguração do viaduto do Chá, em 1892, as referidas ladeiras eram muito movimentadas, pois constituíam as principais vias de acesso ao morro do Chá e aos bairros das suas imediações.
Na parte baixa do largo, exatamente onde convergiam as ladeiras, ficava o chafariz do tanque Reúno do Bexiga, obra do que depois foi marechal-de-campo, Daniel Pedro Müller.
Êsse chafariz era muito concorrido, principalmente durante o dia, quando incessante era o vai e vem dos pretos escravos que nele iam apanhar a linfa pura e fresca.
Em 1814, o Conde da Palma, então governador de São Paulo, querendo prestar homenagem à memória de Dom Bernardo José de Lorena, que em São Paulo exercera as funções de capitão-general, reso1veu mandar construir um monumento — uma memória, como se dizia. Para isso, contratou os serviços de um habilidoso pedreiro, conhecido por Mestre Vicentino, que deu imediatamente início ao desempenho da incumbência, apresentando o projeto de um obelisco, que foi aceito.
Com o perpassar do tempo, a "memória" a Dom Bernardo José de Lorena emprestou o seu nome ao largo, e nele esse nome tem permanecido, como última das relíquias evocativas da fase final do regime colonial em São Paulo.
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