Rua 15 de Novembro (1898)

Em 1898, a rua 15 de Novembro ostentava galhardamente o título de principal das componentes do célebre Triângulo.
Predominava, ali, um comércio aristocratizado, em que não somente se vendiam artigos de qualidade, como também se notava a preocupação de bem os apresentar aos olhos do freguês.
Havia muitas casas com denominações portuguesas — Ao Globo, Ao Novo Mundo, Ao Rei dos Barateiros, etc. Mas as que ostentavam letreiros em francês procuravam, com esse detalhe, traduzir maior refinamento e elegância. Assim, havia Au Printemps, Au Louvré, Au Palais Royal, Nôtre Dame de Paris, etc..
Outros estabelecimentos atraíam a freguesia chique de então: o salão de cabeleireiro La Grand Duchesse, pertencente à Mme. Prunier; relojoarias e joalherias afamadas, como A la Pendule Suisse, de Maurice Grumbach, bem como as pertencentes a Alfred Suplicy e a Pierre Chiquet.
Pela rua, além dos clássicos bondinhos a burro, trafegavam tílburis e carros de praça, em fila constante, levando, conforme as horas, distintas damas ou senhoritas da melhor sociedade — ou , então, se após as 17 horas, elegantes conhecidas, a distribuir sorrisos brejeiros e acenos amistosos aos sisudos senhores de chapéu coco e bengala, postados à beira das calçadas ou às portas dos cafés, ou, ainda, das charutarias.
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