A Travessa do Rosário (1902)

Chamou-se Travessa do Rosário, e, posteriormente, Rua do Rosário, a atual rua João Brícola.
Aquêle nome era devido à existência, no largo onde ela começava; (e que é hoje a Praça Antônio Prado), de um velho templo - a igreja do Rosário dos Homens Pretós - levantada em 1721 (ou 1725, segundo alguns autores).
A igreja ocupou, até 1904, ano em que foi demolida, o local onde hoje existe o prédio em que (até há bem pouco tempo) funcionou o City Bank.
O largo do Rosário era todo um conjunto de tradições. No interior da igreja se fazia, à noite, o entêrro de cadáveres. Era uma cerimônia tétrica pois os negros, que se incumbiam do serviço, costumavam entoar impressionante melopéia, à medida que iam pondo e socando a terra sôbre o morto.
A Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, que era dirigida por um juiz, uma juíza, um rei, uma rainha e outros membros de menor categoria, promovia imponentes procissões, após as quais realizava, em frente à igreja, ao som de música de Tambaque, animadas congadas, moçambiques e batuques.
Em 1902, a redação do jornal O Estado de S. Paulo, alguns estabelecimentos de elevada categoria e várias confeitarias, dentre as quais se destacavam a Brasserie e a Castelões, davam vida ao tradicional largo paulistano, e, também, por conseqüência, à travessa do Rosário, a êle adjacente.
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