A praça e os larguinhos


As ruas que convergem para a Praça da Bandeira antigamente desembocavam em dois larguinhos fundidos para formar essa praça: os largos do Riachuelo (antes Bexiga) e o largo do Piques. Bem próximo, no início da rua Santo Antonio (antes rua do Bexiga), até meados do século XIX, existia a sede da chácara do Bexiga, que forneceu o território para o bairro do mesmo nome.

Mal assombrado

O dono da chácara, Antonio Bexiga, tinha também uma estalagem, perdida no meio do matagal. Com o arruamento posterior, o lugar logo se encheu de casas. Ao começar a década de 50, uma casa erguida no mesmo lugar onde viveu a estalagem do Bexiga foi cenário de um crime que abalou São Paulo. Um rapaz matou a mãe e a irmã e jogou-as num poço. O crime rendeu até peça O Fundo do Poço, de Clô Prado. O lugar pegou fama de mal assombrado. Ali mesmo se construiu depois o Edifício Joelma atingido em 1974 por um pavoroso incêndio que deixou dezenas de mortes. Falou-se novamente da maldição do lugar.

Matadouro

O Largo do Piques era atravessado pelo riacho do Anhangabaú, canalizado em 1906. Com as águas do Anhangabaú, até meados do século XIX, vinham os detritos de um matadouro localizado na atual rua Santo Amaro — as águas poluídas do Anhangabaú assombravam S.Paulo.

Feiras

No largo do Piques, realizavam-se feiras onde os "caipiras" de Pinheiros e Santo Amaro vinham vender seus produtos. Lá houve também feiras de escravos. O largo do Bexiga tinha como fundos o extinto cemitério do convento do largo de S. Francisco.

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