José de Arouche Toledo Rendon

Militar, parlamentar, político, nasceu em S. Paulo (SP) em 14/03/1756, e faleceu na mesma cidade em 26/7/1834. Aos 18 anos de idade mandou-o o pai a Portugal a fim de estudar na Faculdade de Leis, em Coimbra, onde recebeu o grau de bacharel em 28/7/1778, tirando carta de formatura a 16 de julho do ano seguinte. Regressando a S. Paulo dedicou-se, inicialmente, à advocacia. Três anos depois de oficiais da Câmara indicaram-no para exercer as funções de juiz das marcações de terras de sesmarias, cargo que o rei de Portugal ordenava fosse ocupado pôr letrados de boa e sã consciência. Concluído o período de um ano nomeou-o o governador da capitania para as mesmas funções, na vila de Paraíba. Em 13/1/1789, assentou praça de capitão agregado ao1º regimento de infantaria de milícias, dedicando-se, desde logo, ao estudo da tática militar e á composição dos exercícios, abrindo, em sua residência, " uma aula particular em que lecionava graciosamente a oficiais e particulares", fardando, de seu bolso, os soldados que comandava. Promovido a coronel em maio de 1795 e a mestre de campo do 2º terço auxiliar de Serra Acima, a 2 de novembro do ano seguinte. Em 15 desse mesmo mês passou a inspetor geral das milícias da Capitania, a 17/12/1813, foi graduado no posto de brigadeiro, com dispensa do comando do regimento e a 6/8/1817, efetivado no posto, na rama de cavalaria. Após cumprir diversas missões, dispensou-o o governo, em 20/7/1822, do cargo de inspetor geral das milícias. Em 18/10/1829, graduado no posto de Tenente-General. Quatro anos após haver assentado praça, foi eleito juiz ordinário, repetindo-se a eleição em 1798. Tendo abandonado definitivamente a advocacia, dedicou-se a múltiplos afazeres, arrematando os contratos das passagens dos Cubatões Gerais de Santos e Moji; cultivou chá, pela primeira vez em S. Paulo, plantando para mais de quarenta mil pés. Na fazenda de suas irmãs, na Casa verde, plantou café, do qual foi o primeiro exportador; Procurador da Coroa e Fazenda Real; fiscal da Real Casa de Fundição; diretor geral dos índios; juiz de órfãos; deputados da Junta Guarapuava; presidente do conselho de guerra encarregado de julgar os participantes do motim de Santos; governador das armas de S. Paulo, nomeado em 1/5/1822, e encarregado de aí restabelecer a ordem quando da Bernarda de Francisco Inácio. Proclamada a Independência e convocada a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa, foi eleito deputado, tendo tido destacada atuação. Em 20/9//1824, nomeou-o o governo para organizar uma sociedade tendo como finalidade explorar uma fábrica de tecidos e, em 29 de outubro do ano seguinte, para diretor das obras do Jardim Botânico. Em 11/11/826, foi encarregado pela Câmara Municipal da abertura e alinhamento de novas ruas da cidade. Criado, em 11/8/1827, o Curso Jurídico na Cidade de S. Paulo, nomeou-o o Governo Imperial seu diretor, incumbindo-o, da instalação da Escola, que dirigiu até 19/8/1833. Exerceu, ao mesmo tempo, as funções de conselheiro do governo, tendo, entre os muitos serviços prestados, elaborado as instruções para servirem de base ao primeiro contrato de trabalho que se conhece. Cidadão benemérito da Província, seu nome está ligado à Santa Casa de Misericórdia. Da qual foi provedor e grande benfeitor.

Extraído do Dicionário de História de São Paulo, de Antonio Barreto do Amaral


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