Palacete Martinico, 1911, na esquina da Praça Antonio Prado (centro), com rua João Brícola (direita)

Automóvel Clube de São Paulo


São Paulo,1928. Assinalados, os prédios gêmeos do Conde Prates: Prefeitura(1) e Automóvel Clube (2)

“E por aí vieram mais automóveis, seis, oito, uma dúzia — não sabemos ao certo — o número promete aumentar numa celeridade a todo o vapor... isto é, a toda a gasolina. Já todo o dia se pode ouvir, por toda a parte, o esfolfado tout tauf dos modernos e velozes autos que voam e bamboleiam alacremente nos grossos pneumáticos das rodas, deixando, na cara dos curiosos, nuvens de pó e um detestável cheiro de petróleo”.
Correio Paulistano, 23 de dezembro de 1902.
Entrando em São Paulo, com o começo do século XX, o automóvel, poucos meses depois, já trazia preocupação, tal era a sua contínua multiplicação. E, para evitar o agravamento da situação, os primeiros donos de automóveis da cidade resolveram criar a sua entidade de classe.
Reuniram-se eles no palacete Martinico, (praça Antonio Prado, entre as esquinas da rua de São Bento e João Brícola, para fundar o Automóvel Clube de São Paulo. Era o dia 11 de junho de 1908.
Na reunião, a fina flor da sociedade paulistana: Alexandre Mendonça, Antonio Prado Júnior, Antonio de Pádua Sales, Clóvis Glicério, Edgar Conceição, José Paulino Nogueira Filho, Numa de Oliveira, Paulo Prado, Plínio Prado e Sílvio Penteado. Mandaram representantes: o Conselheiro Antonio Prado, o Conde Álvares Penteado, Francisco da Cunha Bueno, Cel. Joaquim da Cunha Bueno.
A diretoria da nova entidade:
Presidente, Conde Álvares Penteado; Vice-presidentes, Conde Álvares Penteado, Conde Prates e Francisco de Paulo Ramos de Azevedo; 1o Secretário, Numa de Oliveira; 2º Secretário, Clóvis Glicério; 1º Tesoureiro, José Paulino Nogueira Filho; 2º Tesoureiro, Luiz Fonseca.
Finalidades do Clube entre outras: Promover o automobilismo, conservação das estradas antigas e construção de novas, promover corridas automobilísticas.
Uma finalidade não explicitada, mas muito bem cumprida, foi a de fornecer boa cozinha aos associados. Contam que numa das revoluções havidas em São Paulo, as refeições dos sócios presos eram fornecidas e levadas pela Entidade.
Durante muitos anos, o Automóvel Clube teve um prédio que foi demolido na década de 50 passada para dar lugar ao atual Edifício Conde Prates, na rua Líbero Badaró, junto ao Viaduto do Chá. Alguns passos abaixo, havia uma outra construção de idênticas características.
Os prédios gêmeos foram construídos por Eduardo da Silva Prates, o Conde Prates, que possuía propriedades no Vale do Anhangabaú, com algumas pequenas casas dando frente para a rua Líbero Badaró. Na época, a rua passava por um processo de modernização, e os dois prédios representaram a colaboração de Silva Prates para as reformas.
Homem de muitas posses, ele não economizou dinheiro na empreitada. Trouxe da França, todo o material necessário a construção.
Em estilo francês, de estrutura de ferro, os prédios eram considerados infensos ao fogo. Construiu-os o engenheiro Samuel das Neves.
No primeiro dos prédios para quem vinha da avenida São João em direção ao Viaduto do Chá (Líbero Badaró, 377) funcionou por muitos anos, e até 1951, a sede da Prefeitura Municipal de São Paulo. Dividia o espaço com a Câmara Municipal que, após sua saída, assumiu todo o prédio, dando-lhe o nome de Palacete Anchieta.

Veja também:

  • Eduardo da Silva Prates

  • Câmara Municipal

  • DicionárioBiográfico

  • SÃO PAULO ANTIGO

    Esta página foi produzida por Maturidade Vídeo e Editora