Avenida Cásper Líbero


Rua Conceição, presentemente Avenida Cásper Líbero, na década de 20.

As ruas Triste e Alegre caminhavam paralelas em direção ao Jardim da Luz. A rua Triste já se chamara primeiro rua do Cemitério porque levava às proximidades do cemitério da igreja da Luz — e isso, talvez, explique também, a razão do seu segundo nome. A rua Alegre chamara-se primitivamente de Rua que Vai Para Ponte Grande e o nome de Alegre, adotado depois, foi para contrastar com o da rua Triste, embora as duas seguissem juntas para o mesmo destino.
As duas vias de tão contrastante denominação corriam dentro da chácara do Brigadeiro Tobias. Na sede da chácara, localizada à rua Alegre, morou a Marquesa de Santos, casada em segundas núpcias com o brigadeiro.
A chácara do brigadeiro defrontava-se, na Luz, com a chácara no brigadeiro Baumann. E na Luz surgiu uma rua homônima da Alegria, a Alegria da Luz, hoje, rua Afonso Pena.
Foi na rua Alegre que, em 1876, instalou-se o hospital da Beneficência Portuguesa, e, por causa disso, ganhou o nome de Beneficência Portuguesa, a rua que liga as atuais avenida Cásper Líbero e rua Brigadeiro Tobias. O prédio do hospital serviu depois, durante várias décadas ao Colégio Alfredo Pucca, famoso em São Paulo pela sua disciplina não muito rígida.
Em memória do seu antigo morador, falecido 28 anos antes, a 21 de janeiro de 1885, a rua Alegre mudou para Brigadeiro Tobias. No começo dela, três casas residenciais foram adaptadas para funcionar em 1913 como primeira sede própria da Faculdade de Medicina.
A rua Triste não ficara atrás. Também mudou de nome para Conceição e desenvolveu-se muito principalmente por se tornar via direta para estações de trens. No começo do século 20 já era bem movimentada pelo comércio e até um cinema (novidade ainda) chamado Flor, propriedade do sr. Luigi Livieri que, depois, transformou seu estabelecimento numa escola.
Contemporâneo da escola de Livieri foi o Grande Hotel de Roma, no número 81 (antigo) da rua, "instalado em prédio especialmente construído possuindo todas as acomodações e conforto modernos para os srs. viajantes e exmas. famílias".
Lá por 1919, a ex-rua Tristre, no seu 131, já tinha até um lugar chamado "Centro Internacional da Luz". Pelo menos, anunciava assim seu endereço o dr. Synesio Rocha, advogado. Endereço do escritório, seja dito, pois para a sua residência, no mesmo anúncio, o dr. Synesio, fazia questão duas ruas: Major Sertório e Barão de Iguape.
Tudo isso, porém, já eram águas bem passadas quando na rua foi construído o prédio do jornal A Gazeta, fundado e dirigido pelo jornalista Cásper Líbero. Ele morreu num desastre de avião, em 1943, e a rua Conceição, em homenagem à sua memória, passou a chamar-se Avenida Cásper Líbero.

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