Avenida Prestes Maia

Sempre aceso, o fogareiro montado na lata de querosene garantia as castanhas assadas na hora. Ao lado da casa do negociante que as fornecia, na avenida, saía a escadinha de acesso ao Beco do Sapo, depois rua Anhangabaú, antecessora da atual avenida Prestes Maia.
O Beco do Sapo vinha de remotos tempos paulistanos. Devia seu nome, certamente, ao grande número de sapos ali existentes, embora isso não fosse, de maneira alguma, privilégio de qualquer lugar de São Paulo.
Era realmente o fim da linha, o Beco do Sapo, pois ali, numa rústica pontezinha sobre o rio Anhangabaú, se encerrava qualquer tentativa de acesso para as regiões mais à frente. O beco, na verdade, constituía-se numa espécie de prolongamento da atual rua do Seminário, então, apenas uma travessa que já tinha esse nome, porque abrigava o Seminário das Educandas da Glória, instituição destinada à educação de órfãs carentes, famosa na cidade, até mesmo nas crônicas eróticas. Em 1865, o Beco do Sapo passou chamar-se oficialmente, também de Travessa do Seminário, mas o povo continuou a usar a denominação primitiva.
Apesar do nome, o Beco do Sapo deveria ter lá seus atrativos. Prova isso o fato de Francisco Emílio Oppermann, o "Chico Metralha", linotipista da Província de São Paulo (hoje o Estado de S. Paulo), tê-lo escolhido para situar o enredo da comédia de sua autoria, A Costureira. Mereceu ainda o Beco outra homenagem ao inspirar o nome do efêmero Cabaré do Sapo Morto, no começo da São João. E foi no Cabaré do Sapo Morto que Emílio Rouéde se inspirou para o seu vaudeville homônimo, em 2 atos, levado à cena, 2 de dezembro de 1897, no Teatro Apolo, pela Cia. Silva Pinto.
No final do século XIX, o beco deu lugar à rua do Anhangabaú. O Cassino Antarctica, histórica casa de shows, fez da Anhangabaú seu endereço em 1913 para lá por cerca de 50 anos. Ficava quase embaixo do Viaduto Santa Efigênia, inaugurado também naquele ano. Por lá, mais tarde, pousou também o Circo do Arrelia.
Desde aquela época, já havia idéia de transformar a rua do Anhangabaú em avenida. Sob a encomenda do prefeito Pires do Rio, em 1930, o engenheiro Prestes Maia elaborou um plano de avenidas na qual a já Avenida Anhangabaú, designada como Anhangabaú de Baixo. fazia parte do chamado Sistema Y: "conjunto de três avenidas que atravessarão toda a cidade, desde o Tietê até o Vale do Pinheiros", segundo notava o engenheiro.

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