"Bailes das prostitutas" e anti-semitismo

No enorme casarão, residira a respeitável família do Brigadeiro Jordão. Depois, em 1854, alugou-o um francês para nele fundar o Hotel 4 Nações. Ficava o casarão na esquina da Rua Direita com a rua São Bento, bem onde hoje está uma unidade das Lojas Marisa.
Dois outros hotéis posteriores e sucessivamente funcionaram no mesmo endereço do 4 Nações e se tornaram famosos entre os viajantes que passavam por São Paulo. O 4 Nações era também famoso, mas não bem por causa dos seus serviços hoteleiros.
No 4 Nações nasceram os bailes carnavalescos paulistanos. Ninguém os chamavam, porém de bailes carnavalescos, mais sim de "bailes das prostitutas". E nem só no carnaval, eles se realizavam. No dia 10 de fevereiro de 1866, o Quatro Nações publicou nos jornais o seguinte anúncio: "Às nove horas romperá o baile com a grande sinfonia "La Place". As mais belas polacas, as valsas mais chibantes, farão dos bailes do "Quatro Nações" os primeiros de que haverá notícia em São Paulo. À meia-noite em ponto, a orquestra tocará o grande demoníaco — Galope característico — que imitará o correr de uma locomotiva acompanhada de toda a sorte de instrumentos; música diabólica, de um efeito indizível e que fará galopar os próprios reumáticos ao inferno e às quatro horas dar-se-á fim ao divertimento com o grande — Galope Infernal — com sinos, matracas, tiros, o que fará crer o fim do mundo e o Juízo Final".
Em vão bradara o jornal "O Sete de Abril", em artigo no ano anterior no qual batizara as festas do 4 Nações de "bailes das prostitutas". "...os bailes das prostitutas têm se tornado mais assíduos: todos os sábados rodam os carros, e daí a pouco ouve-se a música tocar peças apropriadas a tais "inocentes soires... entrai e vereis o escândalo dos escândalo, desprezo à virtude, o escárnio aos bons costumes e hosanas ao vício e à corrupção". E pouco depois insistia, dando mostras do seu anti-semitismo: "Qual o privilégio que tem essas filhas espúrias de Jerusalém, essas vagabundas desprezadas de lançar a lama da prostituição, a sua baba asquerosa à face da população moralizada? Caia esse costume indecente! Cesse ao menos no centro da cidade, às barbas da primeira autoridade da província".
No seu anti-semitismo, "O Sete de Abril" vociferava contra aqueles que acusava de serem patrocinadores dos bailes: "Esses judeus miseráveis que desgração a mocidade, estrangeiros ávidos de riqueza (que ) pisão o solo de nossa pátria, buscão um centro populoso, onde há um número avultado de mancebos, ricos, procurão especular por todos os meios aos seu alcance".

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