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Balões

Os moradores da casa do bairro da Luz jantavam tranqüilamente quando entrou, ou melhor, caiu-lhes, telhado a dentro, um homem estranhamente vestido. Era o mexicano Téodulos Zaballos que, em abril de 1876, fez os primeiros vôos de balão sobre São Paulo. Zaballos apresentou-se várias vezes no Jardim da Luz, trazendo inquietação à vizinhança, pois freqüentemente aterrisava sobre os telhados das casas, causando-lhes prejuízos. Na sua apresentação do dia 9 daquele mês, Zaballo teve também o seu aparelho de ar quente incendiado. O mexicano voltou para outra temporada em São Paulo, agora acompanhado pela sua mulher, e por um cachorrinho que, num dos vôos, foi lançado de pára-quedas. Zaballos morreu no México, durante uma de suas experiências. Anos depois, por volta de 1885, apareceu em São Paulo, o Capitão Martinez, espanhol cujas ascensões se deram também no Jardim da Luz. Programara-se ainda um vôo especial do balão do espanhol, levando sua mulher sozinha. Grande multidão compareceu para ver o espetáculo, mas na hora da ascensão, a mulher, apavorada, saltou para fora do aparelho, aos gritos. Na tentativa fazê-la voltar à força, Martinez despertou a ira de parte do público que quase o linchou. Para defender-se, o espanhol Martinez feriu várias pessoas com um soco inglês. Entre 1890 e 1891, o norte-americano Stanley Spencer, filho de um fabricante de aeróstato nos Estados Unidos, veio a São Paulo para apresentar números acrobáticos no espaço, usando duas argolas de ginástica presas ao balão. O clímax da apresentação era o salto de pára-quedas que Stanley executava no final. À deriva, seu balão ia cair em lugares distantes. Quem o encontrasse e o devolvesse esvaziado e dobrado no hotel onde, Stanley se hospedara, recebia a quantia de dez mil réis. O português Magalhães Costa fez uma única apresentação em São Paulo com o seu balão Portugal, a 14 de maio de 1905. Sua ascensão deu-se no Velódromo Paulista, espaço para as práticas esportivas existente no começo da rua Consolação. O local cobrou 4$000 pela arquibanda, e 2$00 só pelo bilhete de estrada. Magalhães Costa subiu 500 metros, atravessou a avenida Paulista e espantou os moradores de Pinheiros, com a sua aterragem no bairro. Pouco mais de dois meses depois, outro português, Bernardo Ferramenta marcou uma ascensão no Velódromo Paulista. À hora aprazada, porém, o balão não conseguir subir, o que fez o público pagante vaiar o frustrado aeronauta. No começo do ano seguinte, o Velódromo Paulista viu orgulhoso a ascensão de Alaor Marcondes Torres de Queiroz, o primeiro brasileiro a voar num balão livre. Em 1915, Alaor encontraria a morte quando pilotava um aeroplano.


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