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Cavalos amarrados a portas de tabernas na Rua São Bento, 1860


Largo São Francisco, 1860, onde existiu o café de Maria Punga

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De beber e comer

Chegou finalmente a hora em que "comer e beber", fora da própria casa, segundo um ilustre vereador, também era preciso. São Paulo atingira 1599 e só então ganhou o seu primeiro restaurante, com a escolha de um permissionário para explorá-lo.

Não vingou bem a semente. Mais de 200 anos depois, a cidade ainda não dispunha de bons lugares para repastos. Botecos havia, mas de tão lamentáveis aspectos que deram o nome de Beco do Inferno (hoje rua do Comércio), ao lugar onde eles se enfileiravam em maior número.

Chás

Tediosa era a vida de São Paulo nos seus primeiros séculos. Persistia uma tendência ao isolacionismo, acentuada pela falta de contato com estrangeiros.

Visitando a cidade em 1807, o inglês John Mawe causou verdadeiro rebuliço devido à sua condição de estrangeiro. A abertura da Faculdade de Direito em 1828, quebrou um pouco o marasmo, mas a socialização ficava restrita às pequenas rodas familiares. Tornou-se famoso o hábito dos "chás paulistanos — e deles resultaram casamentos entre estudantes e gente boa da terra.

Tabernas

A presença dos estudantes inovou também o negócio das tabernas, antes apenas espeluncas, palco diário de brigas e até assassinatos. Com a vida estudantil, floresceram as "tabernas literárias" e também o "café literário" de Maria Punga, quase um cubículo no largo de S.Francisco.

Franceses inauguraram os primeiros restaurantes dignos desse nome em 1855. Todos esses lugares, porém, estavam reservados a estudantes e estrangeiros, pois as boas famílias paulistanas não julgavam de bom tom frequentá-los.

Mudança

A coisa mudou de figura nos últimos 25 anos do século XIX. As vias férreas, os bondes, a maior presença de estrangeiros e diversos outros fatores trouxeram novos padrões de comportamento. Numa casa térrea à esquina da rua XV de Novembro com o Beco do Inferno, aparece em 1876 o requintado Café Europeu, primeiro de uma linha de cafés que ficará na memória da cidade. Brotam também as primeiras confeitarias para criar outra tradição da cidade antiga. E comer e beber fora de casa deixa de ser desonra.


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