Um mestre. Também nos factóidesUm verdadeiro mestre do que hoje se chama "factóide". Morador de um velho prédio de apartamento na rua D. José de Barros esquina com a Barão de Itapetininga, o arquiteto e pintor Flávio de Carvalho, afora o inegável talento, manejava muito bem a arte de virar notícia. Quando assistia a uma procissão de Corpus Christ, Flávio recusou a tirar o chapéu. Quase foi linchado pela multidão, mas começou a ganhar uma notoriedade muito além do que já lhe rendera o seu fazer artístico.
Nos meados da década de 50, Flávio saiu às ruas vestindo um saiote colorido. Tentou entrar num cinema, cujas rígidas normas exigia Numa série de desenhos de forte apelo dramático chamados Série Trágica, Flávio retratou a agonia da mãe. Seu temperamento histriônico respaldava-se no pleno domínio técnico da arte e na aguda sensibilidade. Nascido em 1899 e falecido em 1973, ele foi um dos pioneiros da arquitetura brasileira moderna, distribuindo ainda seu talento por diversas outras atividades artísticas, como cenografia, escultura e literatura. Expressionista, pintou notáveis femininos.
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