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São Paulo motoriza-se


Praça da Sé, S.Paulo, 1939

Automóveis movidos a gasolina e carros a tração animal conviviam ainda em São Paulo em 1915. Carrocinhas puxadas por burros paravam no centro.

Entretanto, com 400 mil habitantes, a cidade já tinha problemas de trânsito e o Secretário da Justiça, Washington Luís, criou a polícia de tráfego. Exigia-se a estatura mínima de 1,80 para os novos policiais.

Em 1903, os irmãos Álvares Penteado, com Antonio Prado Júnior realizaram a primeira viagem de São Paulo a Ribeirão Preto. Em 1908, criou-se o Automóvel Clube com a finalidade de difundir o esporte do automobilismo. No mesmo ano, organizado pelo Automóvel Clube fez-se o Circuito Itapecirica, ligando Pinheiros a Santo Amaro. A pista era o mesmo leito da atual avenida Faria Lima.

Surgiram os carros oficiais. Traziam vasos de flores encaixados nas vidraças e telefone para comunicação entre o passageiro e o chofer. As vidraças tornavam-se indevassáveis pela presença de cortinas.


Na praça da República, estacionamento de automóveis de aluguel. Começo do século passado

Os primeiros pontos de taxi apareceram em 1906. O primeiro foi no Largo do Comércio (atual largo do Café). Para casamentos e festas, alugavam-se carros por hora. Havia carros para casamento inteiramente brancos, com estofamento também branco, ornamentados no seu interior com flores de laranjeira. Chofer com uniforme de gala. Os choferes eram tomados na mais alta consideração, devido talvez aos seus garbosos uniformes.

Coincidindo com a Revolução Tenentista de 1924, houve uma tremenda estiagem com conseqüente falta de energia elétrica. Muitos bondes elétricos deixaram de circular e uma crise de transporte coletivo tomou conta de São Paulo. Começaram então a rodar as , ônibus particulares improvisados por motoristas de taxis que puseram quatro bancos transversais em camionetes Ford e Chevrolet, mais o banco do próprio motorista. O preço era de 500 réis nas viagens curtas e 10 tostões nas longas. Ao pressentir uma ameaça no seu negócio de transporte coletivo, a Light, concessionária dos bondes elétricos, importou então cinqüenta luxuosos ônibus e implantou suas linhas. A operação não deu certo, entretanto. A Light escolhera dois bairros, Higienópolis e Perdizes, onde a população já era motorizada.

Por causa da revolução de 32, houve falta de gasolina e o prefeito de São Paulo na ocasião, Godofredo da Silva Teles, pediu a interrupção do serviço. Os bondes elétricos voltariam por alguns anos mais a imperar nos transporte coletivo. Logo, porém, os ônibus pouco a pouco iriam começar a expulsá-los.



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