Brás Alegre


Moças das famílias Parisi, Paglia, Bianco e Sinischalchi (esta última a proprietária da famosa Confeitaria Guarani)

Nas primeiras décadas do século XX, rezam as crônicas, o carnaval mais elegante de São Paulo, era o da Avenida Paulista. Em matéria de animação, porém, ninguém vencia o carnaval do Brás. Durante o chamado "tríduo momesco", o imponente Teatro Colombo, no coração do bairro, enfeitava-se galhardamente para receber os foliões. E estes acorriam aos borbotões.
Fora do teatro, a multidão se espraiava pelo largo da Concórdia e pelas ruas, perdida em frenéticas danças e cantorias. E os bailes de salões também se multiplicavam.
O Brás também era o segundo território cinematográfico paulistano, quer dizer, a região da cidade que mais concentrava cinemas, depois de sua fulgurante cinelândia. Ao longo da Rangel Pestana, as salas quase se colavam umas as outras, com o luminoso do Piratininga a anunciar cheio de orgulho, a sua condição de maior cinema do Brasil.
Pouco adiante do Piratininga, num endereço perto do largo da Concordia, que hoje serve a uma insípida agência bancária, brilhou a Confeitaria Guarani, também com sessões de cinema, entre suas mesas de comes e bebes. Não é por menos que o Brás sediou a primeira escola de cinema do Brasil, a Azurri, fundada por volta de 1920, num prédio da esquina da Rangel Pestana com a rua Martim Buchard.
O Brás noturno foi aberto, em 1898, com o Boule Club, boliche fundado pelo sr. João Christo, à rua do Gasômetro, esquina Vasco da Gama (naquele tempo, Maria Antonia). Depois, junto com os cinemas, vieram as confeitarias, os café-concertos, os bares: Café-Cantante, Central, Cassino Penteado (na Rodrigues dos Santos), Café-Cantante Griselda, bem mais tarde o Café Miraldo (o dono deste último suicidou-se, atirando-se do Viaduto do Chá, por sofrer de insônia).
Foi no Brás, parece, que a pizza napolitana foi apresentada aos paulistanos. O provável pioneirismo foi da Cantina de Dom Carminiello, um ponto de reuniões e música localizado no atual no.1153 da avenida Rangel Pestana. Ficou também nas saudades de muita gente, a Cantina Bela Napoli, Rangel Pestana esquina da rua Piratininga, onde depois e até 1935, funcionou o não menos célebre Grande Hotel do Brás. E vieram mais a Cantina do Giordano, a Cantina do Marinheiro, ainda existente na Radial Leste, mas nascida na rua do Gasômetro ,sob o viaduto, a Balila, a Castelões, a Cantina do Lucas, a 1060, cujo nome vinha do número que ocupava na Rangel Pestana.
Os circos, claro está, não poderiam furtar-se às alegrias do Brás. Um dos primeiros a aparecer por lá estreou a 4 de julho de 1897, no comecinho da rua Piratininga. Era de touros e chamava-se Circo Cosmopolita. Um dia de julho de 1889 marca a estréia do Circo Universal, no lgo. da Concórdia. O Universal pertencia a Albano Pinto, da ilustre família circense a que pertenceu o famoso palhaço Piolim.
Desse tempo em diante, vai se acelerando o giro dos circos pelo Brás: Circo Chileno, direção do artista José Fernandes, Spinelli, Circo Paraense, Circo Salvini, Americano, Temperani, Naska. (No dia 4 de maio de 1913, um garoto, irritado por não conseguir penetrar por debaixo do pano no Circo Naska, em passagem pela Rangel Pestana, atirou uma pedra cabeça do vigia do circo.
Os pontos eram o lgo. da Concórdia, Rangel Pestana, esquina com rua Hipódromo e com Maria Marcolina, Carneiro Leão e muitos outros. O velho Brás gostava mesmo de circo.

Veja também:
Velhos cinemas do Brás


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