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Sem cadeias
Muros toscos, flanqueados de guarita de atalaia, cercavam São Paulo. Um quarto de século, porém, já havia decorrido da sua fundação e a vila não dispunha de nenhum edifício em que se pudesse trancafiar os criminosos. Em 24 de janeiro de 1579, a Câmara quis reunir-se e não pôde. Sua sede estava ocupada por um preso e se não fosse o vereador Antônio Preto ter oferecido sua residência para a sessão não se ficaria sabendo por que naquela data a Câmara não trabalhou.
Prisioneiro da situação
Providenciou-se a cadeia, porém nada mais. Faltava todo o necessário para efetuar-se a prisão de um criminoso. Em tão penosa situação, o juiz ordinário Antonio Bicudo não se conteve. Desabafou: Não havia um carcereiro que tivesse cuidado da cadeia nem dos presos, nem na dita cadeia havia uma corrente, nem um girilam, nem um cadeado com que aferrolhassem os presos e as portas da dita cadeia". E Antonio Bicudo se isentava de responsabilidades, não fossem acusá-lo de desídia, porque "se prendessem uma pessoa, não tinha a quem entregar e ferros que lhe botar, nem chaves para fechar as portas."
Resposta desaforada
Continuaram por anos as reclamações. Em 1588,estando na Vila uma autoridade maior, pediram-lhe os vereadores uma providência. Não atendidos em sua primeira suplica, insistiram os edis. A resposta de Jerônimo Leitão, a dita autoridade, foi ríspida: "Não tinha ferros, nem neles se podia virar.
Foram séculos consumidos com o problema relacionado ao presídio. Para evitar, segundo as justificativas, despesas supérfluas com dois aluguéis, a Câmara resolveu em 1773 que a sua sede e a cadeia passariam a ser no mesmo prédio. Após perambular por vários endereços, aí pelo final do século XVIII, comecinho do XIX, a Câmara-cadeia mudou-se para um prédio localizado no Campo de S.Gonçalo, hoje a praça João Mendes. Ficou anos ali, ao lado de uma igreja, a de S.Gonçalo, ainda existente e frente a outra, a de Nossa Senhora dos Remédios. |