CaifasesDiante do cadáver de Luis Gama, Antonio Bento de Souza e Castro jurou prosseguir na luta pelo abolicionismo, de que Gama fôra precursor em São Paulo. Daquele dia em diante, intensificou-se ainda mais a luta dos caiafases, integrantes de uma sociedade secreta fundada por Souza e Castro cujo objetivo consistia em lutar pela libertação dos escravos, com uso até mesmo de métodos violentos, se necessário.Falecido aos 52 anos, em 1882,filho natural de uma negra africana livre, Luisa Main, da Costa do Marfim, e de um fidalgo pertencente a uma das principais famílias da Bahia, Luis Gama tornara-se escravo aos dez anos. Seu pai o vendera para pagar dívidas de jogos. Em dezembro de 1840, Gama foi revendido no Rio ao Alferes Antonio Pereira Cardoso e levado a Santos e depois a Campinas, numa viagem feita a pé. Ele aprendeu a ler aos 17 anos, assentou praça, foi escrivão de polícia e integrante do Partido Liberal. Por causa disso, demitiram-no os conservadores, quando tomaram o poder, sob a alegação de ser "sedicioso" e "turbulento". Sob o pseudônimo de "Afro", Gama começou então a escrever no jornal paulistano O Ipiranga. Serviu-se do jornalismo para empreender sua campanha abolicionista. Antonio Bento Sousa e Castro nasceu em São Paulo em 1843. Formado pela Faculdade de Direito, foi promotor e juiz municipal em cidades do Interior. Fundou três jornas, um dos quais, A Liberdade, tornou-se a sua principal trincheira contra a escravatura. Provedor da igreja Nª Senhora dos Remédios transformou o templo no abrigo temporário de escravos que libertava e depois encaminhava para para Santos. Souza e Castro morreu em São Paulo a 8 de novembro de 1898. Os caiafases retiravam muitas vezes à força, escravos das fazendas e os encaminhavam para o quilombo Jabaquara, em Santos, a salvo das perseguições. Vindos de todas as camadas sociais, os caiafases tinham ramificações nas repartições públicas.
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