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Pinheiros, bairro caipira

Os cariocas e os estudantes da Faculdade de Direito do largo de São Francisco (na maioria vindos de outros Estados) chamavam os paulistanos antigos de caipiras. O poeta Álvares de Azevedo, ao comentar sobre uma bonita jovem paulistana, falou: É uma estúpida que diz: Nós não sabe dançá proquê... ".
Para desforrar-se, os paulistanos usavam a mesma classificação, não com o propósito de devolvê-la aos forasteiros, mas em direção aos seus próprios conterrâneos moradores de áreas rurais como Pinheiros. Foi assim que Pinheiros notabilizou-se como "bairro-caipira".

População

Com o paulatino desmonte da aldeia indígena dos Pinheiros — marco inicial do bairro — sua população foi se mesclando a brancos e negros também moradores do lugar. Era natural que isso acontecesse com mais intensidade do que na área central da cidade, devido ao relativo isolamento de Pinheiros.
Os índios locais, acrescente-se, não se limitavam apenas aos moradores da aldeia, pois havia centenas deles distribuídos pelas propriedades locais, como escravos ou agregados. Tal circunstância determinou uma grande influência indígena na composição da população de Pinheiros no século XIX cujo corolário foi a sua fama de "bairro caipira".

Caboclo

Pedro Christ, filho de alemães e dono de muita terra na região de Pinheiros, casou-se com uma índia. Amaro Cavalheiro, outro líder comunitário, descendia de indígenas. Membros de famílias tradicionais do bairro costumavam referir-se orgulhosamente aos seus antepassados como caboclos, no sentido de cruzamento do branco com o índio.
Com os sucessivos cruzamentos, a população pinheirense ganhou uma nova característica em que as primeiras influências apareciam já bem diluídas. Para os habitantes da região central da cidade, eles tornaram-se os "caipiras de Pinheiros", talvez não somente uma alusão a comportamentos pretensamente menos sofisticados, mas sobretudo ao seu tipo físico diferenciado. Ao virem comercializar seus produtos nas famosas feiras do largo do Piques, os "caipiras de Pinheiros" representavam uma nota pitoresca.


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO

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