Rua Quintino Bocaiúva (rua do Príncipe), 1860


Esquina das ruas Direita e Quintino Bocaiúva. O sobrado à direita foi demolido em 1908 para dar lugar ao prédio ainda existente no nº 22 da Quintino Bocaiúva


Calçada de paralelepípedo no início do século XX, a rua Quintino Bocaiúva parecia um beco na mesma época


Para seu melçhor alinhamento, algumas de suas construções foram então demolidas, como esta que ficava na esquina da atual rua José Bonifácio (foto de cima)

Rua Quintino Bocaiúva


1951, com o Partido Comunista na ilegalidade.
Estava animado o almoço dos jornalistas do jornal comunista Hoje (depois, Notícias de Hoje). Um deles voltara há pouco da ex-União Soviética e, para recepcioná-lo, seus colegas marcaram a comemoração no conhecido restaurante Gruta Bahiana, em frente ao jornal, na rua Quintino Bocaiúva, perto da praça João Mendes.

VIVAS

O rapaz voltara entusiasmado com o que vira na “pátria do socialismo”. Sua narração era pontuada por vivas dos seus colegas à União Soviética e a seu comandante, Stalin.

POLÍCIA

Certamente, algum freguês anticomunista do restaurante, julgando aquilo um ato subversivo alertou as autoridades. A Gruta Bahiana encheu-se de policiais armados.
Sem se intimidar, o jornalista Raúl Azedo atracou-se com um soldado e arrancou-lhe o revólver. Os outros policiais reagiram com tiros, mas não houve mortes ou feridos.

FUGA

Raúl conseguiu fugir, obrigou um taxista a levá-lo ao Brás, pagou a corrida e desapareceu por bom tempo da cidade. A imprensa batisou o incidente de “o tiroteio da Gruta Baiana”.

CRUZ PRETA

Cento e vinte e oito anos antes, a rua Quintino Bocaiúva fôra palco de outro rumoroso caso policial. Nela havia enorme cruz preta de madeira que justamente lhe dava o nome de então: rua da Cruz Preta.
Um dia, a cruz preta, objeto de veneração de muita gente, desapareceu, para escândalo da cidade. O roubo, descobriu-se depois, não passara de uma brincadeira de estudantes da Faculdade de Direito.

PRÍNCIPE

A Quintino Bocaiúva, antes da cruz preta, chamara-se de rua do Cônego Tomé e ,depois, até a proclamação da República, de rua do Príncipe. Na sua esquina com a atual rua Barão de Paranapiacaba, funcionou uma grande caixa de água. Inicialmente, a caixa, construída por operários alemães, funcionava subterraneamente. Para apanharem água, as pessoas, com seus vasilhames, tinham que descer por uma escada larga e perigosíssima até atingir as duas torneiras existentes. Sucediam-se brigas, nas descidas e subidas, com os condutores de água derrubando seus vasilhames, trocando impropérios e, muitas vezes, sopapos.

MORINGAS

Na esquina da Quintino Bocaiúva com a atual rua Benjamin Constant ,dona Tereza Alfaque, lá pelos meados do século XIX, vendia bonitas panelas e moringas em formato de bonecos feitos em São Bernardo e São Miguel. Especialmente, as moringas eram muito apreciadas pelas meninas que as compravam já vestidas com roupas com várias cores por meio pataca (oito vinténs), e as ainda não vestidas por dois vinténs, segundo registrou o cronista de São Paulo antigo, Antonio Egidio Martins.

DEMOLIÇÕES

Nos primeiros anos do século XX, houve uma série de demolições para melhorar o alinhamento do início da rua Quintino Bocaiúva que mais parecia um beco. O capitalista Antonio de Toledo Lara comprou o sobrado da esquina da rua Direita, que pertencera à irmã do Barão de Itapetininga, juntamente com outras casas vizinhas, componentes do início da rua Quintino Bocaiúva.
Nos meados do século anterior, o sobrado abrigara uma loja muito popular na cidade, a Loja do Chan-Chan e, depois, a Chapelaria Veloso Braga. Em 1908, Toledo Lara o demoliu, juntamente com as casas vizinhas para a construção do prédio ainda hoje existente (no. 22 da Quintino Bocaiúva) e que leva o nome de sua proprietária seguinte, Tereza de Toledo Lara. Aí, funcionou por muitos anos a Rádio Record.
Aproximadamente na mesma época da demolição do velho sobrado, outras casas próximas também vieram abaixo.

Veja também:

O Roubo da Cruz Preta


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO