1951, com o Partido Comunista na ilegalidade.
Estava animado o almoço dos jornalistas do jornal comunista Hoje (depois, Notícias de Hoje). Um deles voltara há pouco da ex-União Soviética e, para recepcioná-lo, seus colegas marcaram a comemoração no conhecido restaurante Gruta Bahiana, em frente ao jornal, na rua Quintino Bocaiúva, perto da praça João Mendes.
VIVAS
O rapaz voltara entusiasmado com o que vira na “pátria do socialismo”. Sua narração era pontuada por vivas dos seus colegas à União Soviética e a seu comandante, Stalin.
POLÍCIA
Certamente, algum freguês anticomunista do restaurante, julgando aquilo um ato subversivo alertou as autoridades. A Gruta Bahiana encheu-se de policiais armados.
Sem se intimidar, o jornalista Raúl Azedo atracou-se com um soldado e arrancou-lhe o revólver. Os outros policiais reagiram com tiros, mas não houve mortes ou feridos.
FUGA
Raúl conseguiu fugir, obrigou um taxista a levá-lo ao Brás, pagou a corrida e desapareceu por bom tempo da cidade. A imprensa batisou o incidente de “o tiroteio da Gruta Baiana”.
CRUZ PRETA
Cento e vinte e oito anos antes, a rua Quintino Bocaiúva fôra palco de outro rumoroso caso policial. Nela havia enorme cruz preta de madeira que justamente lhe dava o nome de então: rua da Cruz Preta.
Um dia, a cruz preta, objeto de veneração de muita gente, desapareceu, para escândalo da cidade. O roubo, descobriu-se depois, não passara de uma brincadeira de estudantes da Faculdade de Direito.
PRÍNCIPE
A Quintino Bocaiúva, antes da cruz preta, chamara-se de rua do Cônego Tomé e ,depois, até a proclamação da República, de rua do Príncipe. Na sua esquina com a atual rua Barão de Paranapiacaba, funcionou uma grande caixa de água. Inicialmente, a caixa, construída por operários alemães, funcionava subterraneamente. Para apanharem água, as pessoas, com seus vasilhames, tinham que descer por uma escada larga e perigosíssima até atingir as duas torneiras existentes. Sucediam-se brigas, nas descidas e subidas, com os condutores de água derrubando seus vasilhames, trocando impropérios e, muitas vezes, sopapos.
MORINGAS
Na esquina da Quintino Bocaiúva com a atual rua Benjamin Constant ,dona Tereza Alfaque, lá pelos meados do século XIX, vendia bonitas panelas e moringas em formato de bonecos feitos em São Bernardo e São Miguel. Especialmente, as moringas eram muito apreciadas pelas meninas que as compravam já vestidas com roupas com várias cores por meio pataca (oito vinténs), e as ainda não vestidas por dois vinténs, segundo registrou o cronista de São Paulo antigo, Antonio Egidio Martins.
DEMOLIÇÕES
Nos primeiros anos do século XX, houve uma série de demolições para melhorar o alinhamento do início da rua Quintino Bocaiúva que mais parecia um beco. O capitalista Antonio de Toledo Lara comprou o sobrado da esquina da rua Direita, que pertencera à irmã do Barão de Itapetininga, juntamente com outras casas vizinhas, componentes do início da rua Quintino Bocaiúva.
Nos meados do século anterior, o sobrado abrigara uma loja muito popular na cidade, a Loja do Chan-Chan e, depois, a Chapelaria Veloso Braga. Em 1908, Toledo Lara o demoliu, juntamente com as casas vizinhas para a construção do prédio ainda hoje existente (no. 22 da Quintino Bocaiúva) e que leva o nome de sua proprietária seguinte, Tereza de Toledo Lara. Aí, funcionou por muitos anos a Rádio Record.
Aproximadamente na mesma época da demolição do velho sobrado, outras casas próximas também vieram abaixo.