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É hora do chá. Na rua Direita

No prédio número 176 da rua Direita, construído há quase cem anos, funcionou até 1965, a Galeria Paulista de Modas, sucessora da Casa Alemã, que mudou de nome por causa da Segunda Guerra e se tornara famosa por seus requintados produtos, refinados ambientes e elegante salão de chá.

Fachada

Do prédio, ainda pode ser vista parte da fachada, peça importante do projeto original encomendado ao arquiteto sueco Carlos Eckman, um dos introdutores do neo-classisismo em São Paulo. Feito especialmente para a Casa Alemã, o prédio ocupou o lugar de três velhos casarões demolidos para a sua construção e sofreu um grande incêndio em 1909, pouco tempo após sua inauguração.

Castigo

Muitos dos antigos paulistanos viram no fogo um segundo castigo contra a Casa Alemã. O primeiro, também um incêndio, ocorrera no final do século XIX, arrasando três sobrados novos no Largo da Misericórdia, esquina com a rua Direita, um dos quais acolhera a Casa Alemã, após sua mudança da sua primeira sede localizada na Ladeira General Carneiro (então, rua João Alfredo).

Igreja

Os três prédios foram erguidos no mesmo lugar da Igreja da Misericórdia, cuja demolição, em 1888,teria sido para muitos um grave pecado.Ao ocupar um dos sobrados a Casa Alemã desencadeara contra si a ira divina. Depois desse primeiro incêndio, a Casa Alemã funcionou algum tempo em outro lugar, enquanto esperava a construção do novo prédio, o mesmo que também pagaria seu tributo ao fogo, mas ainda hoje está de pé.

Início

A Casa Alemã devia o início do seu prestígio ao fato de servir as moças alemãs, francesas, austríacas e húngaras contratadas pelas ricas famílias para dar aulas aos seus filhos. Seguindo as empregadas, vieram suas patroas e a Casa Alemã resolveu mudar-se da rua João Alfredo para a rua Direita. Acompanhada da crescente clientela. E do fogo.

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