Câmara Municipal

Tão pobre era a Câmara Municipal de São Paulo, em seus primeiros tempos que, à falta de uma sede própria, marcava suas reuniões na casa de um dos seus membros. Mesmo assim, gozava de grande prestígio e uma das suas instâncias, chamada de Senado da Câmara, dispunha de amplos poderes.

Almoçatel

Do Senado da Câmara, faziam parte um juiz, dois vereadores, um procurador do Conselho e um almoçatel, o inspetor de pesos e medidas, responsável também pela fixação dos preços dos gêneros e tabelamento dos serviços.

Garantia

Duravam três anos os mandatos dos vereadores que não podiam ser reeleitos, senão três anos depois do término dos seus mandatos. Seus bens ficavam hipotecados em garantia por qualquer falcatrua.

Sede

Nos últimos tempos do Século XVI, a Câmara Paulistana já teria uma sede, segundo um desenho que figura num mapa dos arquivos espanhóis. Em 1619, estava instalada numa casa comprada ao preço de 40 mil réis.

A Câmara em 1619

Paço

Com a construção do Paço Municipal, cujo prédio foi terminado em 1720, a Câmara teve nova sede. Antes do final do século, porém, inaugurou-se um novo Paço no Pátio de São Gonçalo (hoje praça João Mendes) num prédio que só seria demolido em 1943.
Câmara Municipal de São Paulo, 1860

Cadeia

Antigamente, a Câmara Municipal e a cadeia andavam sempre juntas, algo comum nas antigas cidades. No Pátio de São Gonçalo, além da cadeia, a Câmara conviveu uns tempos também com o açougue. Foi por causa da Câmara, por sinal, que a atual praça João Mendes, entre os seus vários nomes do passado, tenha sido chamada de largo Municipal.


O prédio da Câmara na praça João Mendes, remodelado em 1890

Prédio

Da atual Praça João Mendes, a Câmara passou para a rua XV de Novembro. Só na rua de São Bento, porém, teria o seu prédio mais suntuoso, antes da sede de hoje.

Prédio da rua XV de Novembro, onde funcionou a Câmara

Transformações

Nos final do século XIX, começo do século XX, o Vale do Anhangabaú passou por grandes transformações. Diante disso, o abastado fazendeiro Eduardo da Silva Prates, proprietário de áreas na região, resolveu então construir ali, dois prédios modernos e idênticos, um próximo a outro.

Prefeitura

No primeiro daqueles prédios, o Palacete Prates, vieram a instalar-se a Prefeitura e, mais tarde a Câmara. Quando o prédio foi vendido ao Banco Mercantil, em 1951, a Prefeitura mudou-se, mas a Câmara continuou no lugar.

Antigo Palacete Prates (depois, Palácio Anchieta), onde funcionou a Câmara por mais de 50 anos

Anchieta

Depois da mudança da Prefeitura, a Câmara ocupou todas as instalações do prédio e passou a chamá-lo de Palacete Anchieta. Os vereadores decidiram também desapropriá-lo, por julgá-lo, segundo argumentaram, um símbolo da primeira fase de transformação de S.Paulo.

Relíquia

O fato é que, além de sua importância arquitetônica, o ex-Palacete Prates podia realmente ser considerado uma relíquia histórica. Entre outras coisas, lá fizera sua estréia na política um jovem suplente de vereador cuja meteórica carreira o levaria à presidência da República: Jânio Quadros.

Prazo

Contudo, enquanto caminhava o processo de desapropriação, ia chegando também ao fim o prazo dado pelo Banco Mercantil para a mudança da Câmara. No lugar, o banco queria construir um prédio de 25 andares.

Demolição

Afinal, a história terminou bem para ambos os lados. Construiu-se o prédio atual para a Câmara Municipal e em meados de 1969 foi iniciada a mudança, concluída em janeiro de 1970. O Banco Mercantil pôde assim começar a demolição da histórica construção do Conde Prates, sede durante mais de meio século, da Prefeitura e Câmara de S.Paulo

História

A história desse novo prédio, começara vários anos antes. Na primeira administração do prefeito Prestes Maia (1938-1945), a idéia de construir-se o Paço Municipal, com objetivo de abrigar todas repartições do executivo da cidade, mais a Câmara Municipal, empolgou a administração.

Desapropriação

Prestes Maia então desapropriou uma série de imóveis nas proximidades da atual Praça Clovis Bevilacqua, em cujo centro se pretendia erguer o Paço Municipal. Foi a demolição daqueles imóveis — a maioria, construções remanescentes do século XVIII, com beirais — que deu origem à praça.

Concurso

Na ocasião, por intermédio de um concurso público, já fôra escolhido o projeto do edifício para o Paço. Classificou-se em primeiro lugar o trabalho de Augusto Severo, marcado por linhas clássicas.

Topo

Mais tarde, optou-se por construir o prédio no topo do Vale do Angangabaú. Deu-se assim a desapropriação de uma série de outras casas, agora na convergência das ruas Santo Antonio e Santo Amaro.

Atraso

Contudo, houve troca na administração municipal e as obras só seriam iniciadas no mandato do futuro prefeito Armando de Arruda Pereira. Rejeitou-se o projeto arquitetônico anterior, por já ser considerado superado, encomendado-se um novo a Oscar Niemeyer.

Quadrilátero

De linhas modernas, o projeto de Niemeyer era formado por um quadrilátero para abrigar as repartições da Prefeitura. Ao lado do quadrilátero uma cúpula que serviria para a Câmara.

Obras

As obras de terraplenagem começaram, mas logo foram interrompidas porque um novo prefeito, Jânio Quadros, assumiu. Sucedendo a Jânio Quadros, Prestes Maia reformulou o projeto e retomou os trabalhos que só viriam a terminar em 1969.


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