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 O primeiro prédio da Casa Lebre, em frente a outra tradição de São Paulo antigo, o Café Girondino

Em 1906, o velho sobradão foi demolido para dar lugar, no ano seguinte, à nova sede da loja. |
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Casa Lebre
Por aproximadamente 70 anos, o nome Lebre chamava atenção para a fachada de um prédio na esquina das ruas Direita com XV de Novembro. No local, em 1858,ocupando um velho sobradão pertencente ao Barão de Tietê (João Manoel da Silva), instalou-se a firma Lebre, Irmão e Cia com uma loja de ferragens.
A rua XV de Novembro chamava-se, então, rua da Imperatriz. Á frente da firma estavam os irmãos João Lopes Lebre e Joaquim Lopes Lebre, o futuro conde de São Joaquim.
Joaquim Lopes Lebre, na época, chegado há cinco anos de Portugal, revelar-se-ia um grande empreendedor e benemérito. Ele foi o fundador e primeiro presidente da Sociedade de Beneficência Portuguesa.
A pequena loja de ferragens transformou-se num estabelecimento comercial moderno, a Casa Lebre, que logo ganhou fama na cidade. Com a entrada de um novo sócio, Feliciano Cerveira de Melo, o nome da firma proprietária da loja passou a ser Lebre, Irmão e Cia, depois Lebre, Filho e Cia.
Posteriormente o conde de São Joaquim afastou-se da sociedade, deixando o lugar para o seu filho, Joaquim Lebre Filho. A razão social mudou para Lebre Filho S.A, e depois, Mello, Sobrinho e Cia.
A Casa Lebre oferecia uma gama enorme de produtos: “perfumarias finas, brinquedos, artigos domésticos, porcelanas e crystaes, baterias para cozinha de níckel puro, alumínium e ferro esmaltado...”. Em 1906 o velho sobradão do barão de Tietê foi demolido para dar lugar a um moderno prédio construído pelo engenheiro Eduardo M Gonçalves inaugurado, como sede da Casa Lebre, no ano seguinte.
A 27 de fevereiro de 1915, com a retirada do sócio Augusto Cerveira de Mello, a firma responsável pela Casa Lebre passou a chamar Mello, Filho e Sobrinho. Eram seus sócios Feliciano Cerveira de Mello, Antonio Cerveira de Mello e Feliciano Lebre.
A Casa Lebre dispunha também de um refinado setor de lanches. Ali, o jornalista João Quadros Jr., no começo dos anos 20, convenceu a um dos novos diretores da loja, Feliciano Lebre Mello, a investir no ramo da exibição cinematográfica. Foi criada a firma Empresa Paulista de Diversões que construiu o luxuosíssimo Cine República, inaugurado em 1921. O novo negócio, porém, não se mostrou rentável como se esperava e comentava-se que as vultosas quantias investidas no cinema acabaram por abalar as finanças da Casa Lebre até levá-la ao fechamento.
Enretanto, com a sua saída da sociedade da Casa Lebre,Joaquim Lopes Lebre Filho continuou com a firma Lebre Filho & Cia.,que também usava o nome de Casa Lebre.Esta segunda Casa Lebre funcionou quase na frente da primeira,à rua XV de Novembro,esquina com rua Anchieta. Dedicado à fabricação e importação de ferragens e artigos de arame, a Lebre Filho & Cia. deu origem a uma próspera indústria.
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