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Casa Pequena x Casa Grande

Na Cardeal Arcoverde, esquina com Teodoro Sampaio, pertinho da igreja, instalou-se a Casa Pequena. Então, a poucos passo dali, no número 47 do Largo de Pinheiros, montaram a Casa Grande. Disseram que era puro pique, mas não se tratava disso.

Pequena

No pequeno espaço de 16 metros quadrados que o sr. Filipe Nicodemo conseguiu com seu tio naquele final de ano de 1928, vendia-se até gramofone. O sr. Filipe, nascido em 1903, perdeu o pai aos 13 anos e trabalhou de caixeiro (balconista) no largo da Sé (hoje Praça da Sé), até montar a lojinha que, por força da sua minúscula área, acabou sendo chamado de Casa Pequena.

Brinquedos

A Casa Grande foi inaugurada no dia 14 de março de 1937. Ficava nos números 47-51 do Largo dos Pinheiros. Vendia brinquedos, ferragens, armas e municões. Estoque quase igual á da rival Casa Pequena. Ganhou o nome de Casa Grande porque seu fundador chamava-se Paschoal Grande.

Japoneses

Naqueles tempos, o Largo de Pinheiros começava a coalhar-se de japoneses por causa da presença próxima da Cooperativa Agrícola de Cotia, recentemente inaugurada. Dos japoneses, muitos nem sequer falavam português. O sr. Nicodemo comprou um dicionário de japonês para atender á nova freguesia. Havia também os caipiras que vinham vender seus produtos no mercado velho de Pinheiros e na volta enchiam-se de mercadorias compradas na Casa Pequena.

Paulistas

Antes de fundar a Casa Grande, o sr. Paschoal Grande fôra sócio-diretor das Lojas Paulistas, conhecida também como casa nada além dos dois mil réis. Em Pinheiros, ainda nas esquinas da Teodoro Sampaio com Cardeal Arcoverde, as Lojas Paulistas, em 1930 instalaram a sua unidade nº 4. O bairro nunca vira aquilo, foi um sucesso. No atendimento ao público, só trabalhavam moças que os pinheirenses chamavam de garçonetes. Para tomar conta da nova loja, o sr. Paschoal com filho Orlando, ainda adolescente.

Freguesia

A freguesia da Casa Pequena do sr. Nicodemo aumentava a cada dia. Porisso, e porque seu tio também cobrava um preço alto pelo aluguel da lojinha, ele abandonou o antigo endereço que hoje é ocupado pelas Casas Bahia. Comprou um terreno por 200 contos de réis e lá construiu sua nova loja.

Cerca

Em frente a unidade das Lojas Paulistas de Pinheiros, eram colocados alguns paus como uma cerca. Serviam para que os fregueses da casa vindos das chácaras e cidades próximas amarrarem seus cavalos. A rua Cardeal Arcoverde terminava, sem saída, numa série de cocheiras e estábulos que davam para a ainda barrenta rua (hoje avenida) Rebouças. Sete anos depois da inauguração das Lojas Paulistas, o sr. Paschoal Grande resolveu fundar a sua própria casa, sempre ajudado pelo filho Orlando. Em 1951, a Casa Grande foi vendida.

Nome

A Casa Pequena lançou as vendas a crédito em Pinheiros. Na década de 50, já vendia geladeiras e TVs importadas, ao lado de suas mercadorias tradicionais, como panelas. Continua naquele terrenão comprada por Filipe Nicodemo e hoje é uma loja enorme de 2.000 metros quadrados. Não mudou de nome, porém, porque o sr. Filipe sempre dizia: "Casa Pequena é mais simpática".


VOLTA - MEMÓRIA DE PINHEIROS

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