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Chácara do Arouche
Uma casa de doze janelas na atual rua Santa Isabel servia de sede para a Chácara do Arouche, pertencente ao tte.gen. José de Arouche de Toledo Rendon. A propriedade abrangia (em nomenclatura de hoje) os terrenos da Vila Buarque, do largo do Arouche, de parte do largo e do bairro de Santa Cecília, incluindo a área da Santa Casa.
No sentido do largo Santa Cecília, entre a rua Sebastião Pereira e avenida São João, os limites da Chácara do Arouche corriam paralelos aos de outra grande chácara da época, Campo Redondo. Porisso, as terras onde o bairro de Santa Cecília se assentou foram conhecidas no passado pelos nomes de ambas as chácaras.
Na sua propriedade, Rendon iniciou o cultivo de chá preto em São Paulo. Ele começou a plantação em 1825, após receber de um amigo, segundo contou em suas memórias, um par de sementes ocultamente subtraídas do jardim da "Alagoa" (o jardim botânico da lagoa Rodrigo de Freitas), no Rio de Janeiro.
O gosto do chá não demorou a disseminar-se pela cidade. Para atender à demanda, vários outros plantadores surgiram e se São Paulo, mais tarde, foi chamada de "capital do café", só não se tornou primeiro a "capital do chá", por falta de alguém que lhe criasse o slogan.
Falecido, a 26 de julho de 1834, o tte.gen. José Arouche de Toledo Rendon, a propriedade foi dividida, por herança, entre sua viúva Maria Thereza Rodrigues de Moraes, e a filha que tivera, com outra mulher, em solteiro, Maria Benedita de Toledo Rendon. Maria Thereza mudou-se para o Sítio da Casa Verde, outra propriedade dos Rendons, mas Maria Benedita parece ter herdado do pai, o gosto pelo chá. Com 72 anos — e mais de duas décadas depois de ter seu casamento, de apenas, um dia, anulado, ela constava, em 1857, como uma das produtoras de chá da cidade, com propriedade à rua Campo Redondo. Esta, provavelmente, ficava entre as atuais rua Frederico Steidel (antigo Beco Bloch) e avenida Duque de Caxias. Bem mais tarde, a rua Campo Verde transformar-se-ia na rua Maria Tereza, em homenagem à viúva de Rendon. E, por sua vez, a rua Maria Teresa, em 1951, foi integrada à
avenida Duque de Caxias.
Maria Benedita, parece, continuou a morar no casarão da Chácara do Arouche, pois, em 1858, seu endereço é dado como na rua do Arouche, ou seja, a rua Santa Isabel dos nossos dias (a rua do Arouche atual só viria a surgir depois, no lugar da continuação da rua da Palha (hoje Sete de Abril) que chegava até o largo do Arouche.
Entretanto, já naquela época, administrava a propriedade, Ana Margarida Rodrigues de Toledo Rendon, filha de criação do casal Rendon e herdeira de dona Maria Thereza. Outras atividades movimentavam agora a Chácara do Arouche e nela viera instalar-se uma das duas fábricas de seges, carruagens e carrinhos, então existentes em São Paulo.
Tendo sido vendida, posteriormente, uma parte (a maior) da Chácara do Arouche ao bacharel Antonio Pinto do Rego Freitas, e outra parte, ao dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe, foi o primeiro morar no senhorial casarão-sede. Ele, o bacharel Antonio Pinto de Rego Freitas, em 1885, teve a idéia de abrir uma rua para ligar a Consolação ao Arouche. Era sua intenção, dar-lhe o nome de rua General Arouche. A 13 de janeiro do ano seguinte, porém, ele morreu e, ao ser inaugurada, em maio, a nova rua foi chamada de Rego Freitas.
Seus herdeiros repassaram a chácara a uma imobiliária que a loteou, transformando-a na Vila Buarque. No casarão da rua Santa Isabel, instalou-se a primeira sede da Associação Cristã dos Moços. A construção só foi demolida pelos finais do século XX, depois de ter servido muitos anos ao Colégio Oswaldo Cruz.
A parte do dr. Jaguaribe incluía um trecho da antiga rua de Santa Cecília. Ali, ele construiu seu grande palacete que, naquela rua, formava um belo par com a residência de d. Veridiana Prado. Foi por causa desta sua moradora que a rua S. Cecília passou a ser chamada de dona Veridiana. Entretanto, o dr. Jaguaribe não deixou de ter também sua rua.Leia também:
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