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Chácara Quebra-Bunda
A menção da palavra, parece, não causava constrangimento algum, diferentemente do que viria acontecer até há algum tempo atrás (hoje, voltou a não assustar mais ninguém). A 25 de outubro de 1828, a Câmara comunicava que "recebeu uma provisão da Junta da Fazenda Nacional datada de 25 do corrente para efeito desta Câmara informar dois requerimentos que incluso à mesma vieram sobre o pasto denominado Quebra-Bunda".
Não se falou do que constavam os tais requerimentos. Entretanto, daquela sessão esteve ausente o vereador José Rodrigues Veloso de Oliveira, tido como proprietário daquele pasto que, na crônica de São Paulo, ficou conhecida como Chácara da Quebra-Bunda.
O nome teria origem na principal função da chácara. Localizada distante da cidade, a Quebra-Bunda tornou-se o lugar ideal para os brutais castigos aplicados a escravos, surrados até o descadeiramento.
Dar como endereço um lugar com tão pouco elegante nome, parece, não vexava ninguém. A 17 de dezembro de 1832, João José de Jesus Colaço solicitava à Câmara "terreno em um córrego adiante do cercado Quebra-Bunda, ao lado esquerdo do caminho." Trinta anos depois, o encarregado das atas da Câmara, seja intencionalmente, por pudícia, seja apenas, num lapso explicável por Freud, escreveu o nome com letra minúscula, ao referir-se ao requerimento de Caetana Maria Rodrigues "pedindo uma data de terras no logar denominado quebra-bunda". Talvez, em nome de um linguajar mais elegante, a Chácara Quebra-Bunda passou a ser conhecida também como Chácara do Telégrafo.
Pertencia a Chácara Quebra-Bunda, perdão Chácara do Telégrafo, em 1864, ao sr.Demétrio da Costa Nascimento que comunicou à Câmara a desanexação de grande parte dela para a passagem da Estrada do Vergueiro (trecho do Caminho do Mar ou antiga Estrada para Santos). Seus proprietários, no começo do século XX eram os herdeiros de Justino da Silva Martins e o sr. Carlos José Botelho, criador do Jardim da Aclimação, núcleo original do Bairro da Aclimação. A sede da Chácara Quebra-Bunda ficava à altura da atual rua Pires da Mota.
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