Pathé Palace, depois Recreio


Praça João Mendes, 1910, esquinas com a rua Quintino Bocaiúva (direita) e Riachuelo (esquerda). Assinalado o prédio que, após reforma iria servir durante muitos anos ao cinema Pathé-Palace, depois Recreio.

Já de longe, os latidos dos cães chamavam a atenção para a cena. Dezenas de meninos segurando a coleira com que prendiam os seus cachorros, enchiam a atual praça João Mendes, em frente ao cine Pathé Palace, naquele dia de 1923. Anunciava-se o filme O garoto, e, para promovê-lo, decidiu-se escolher o menino que, com seu cachorro, fosse mais parecido com a personagem interpretada por Jackie Coogan, naquele filme, o primeiro grande sucesso de Charlie Chaplin.
Na época um dos cinemas mais requintados de São Paulo, o Pathé Palace ficava na Praça João Mendes, esquina com a rua Riachuelo. Pouco depois de sua inauguração, a 30 de maio de 1913, esse trecho da praça em que se localizou mudou de nome para rua dr.Rodrigo Silva.
Da Cia. Cinematográfica Brasileira (Serrador), O Pathé-Palace, administrado por Alberto Viana, quando abriu era anunciado como “magnífico e moderno”, prometendo “extraordinários espetáculos com grandes atrações”. E, nas primeiras décadas, foi assim.
Já no dia 20 de junho de 1913, o Pathé anunciava a estréia do cômico francês André Deed (André Chapuis), àquela altura, mundialmente famoso, com a personagem Boierau, cuja criação representara uma revolução na comédia cinematográfica. Com sua pequena equipe, integrada também pela sua esposa Frascarolli, Deed só estreou, entretanto, no dia seguinte, pois sua bagagem atrasou. O cômico, pertencente aos quadros da Pathé francesa, realizou uma curta temporada de sucesso, apresentando-se também no teatro Politeama. De sua equipe fazia parte Franco Magliani que se estabeleceria no Rio de Janeiro, onde, em 1916, trabalhou na primeira versão cinematográfica do romance Lucíola, de José de Alencar. No dia 16 de novembro de 1916, durante a exibição do filme Cabíria, um grande rolo de fumaça começou a sair da cabina de projeção do Pathé-Palace. Com o pânico decorrente, um adolescente de 16 anos, Vicente Cormnovielo, morador bem próximo, na rua Riachuelo, acabou sendo morto.
O Pathé-Palace, mais tarde, mudou de nome para Éden. Por alguns tempos, serviu ao Moinho do Jeca, teatrinho de variedade do empresário Oscar Jordão e sua mulher, a atriz Otília Amorim.
Após seus anos de glória, o cinema foi decaindo para tornar-se um dos mais conhecidos pulgueiros com o nome agora de Cine Recreio. Encerrou sua carreira no começo da década de 50 do século XX, quando era propriedade da Cia.Irmãos Doria. Na mesma época, a rua dr.Rodrigo Silva, naquele trecho, foi reabsorvida pela praça João Mendes.



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