De tirar o chapéu

Pode ser que pelo enfraquecimento do hábito, o destino de tal indústria era finar-se mesmo.Com seu know-how em tal especialidade, porém, que haveria de alcançar seu potencial máximo no caso Mappin-Mesbla, Ricardo Mansur apressou o enterro da fabricação de chapéus, um ramo industrial florescente durante décadas em São Paulo.

Reposicionamento

Mansur assumiu na década de 70 a fábrica de chapéus Ramenzoni. Como aconteceria o Mappin mais tarde, a Ramenzoni deixou de existir. À época, já quase ninguém usava chapéu na cidade, mas Mansur podia ter pensado num reposicionamento da indústria. Foi o que fizeram os administradores da Bosísio, tradicional fábrica de chapéus do passado.

Convite

Em 1891,o sr. Giuseppe Bosisio, de Monza, Itália, recebeu o "honroso convite para vir dirigir a primeira sociedade industrial para a fabricação de chapéus de lã no Brasil".Onze anos depois, ele montou sua própria indústria. A empresa ia muito bem, mas um filho sr. Bosísio achou que poderia ir bem melhor se mudasse a fabricação para chapéus de palha, produto mais condizente com o clima de grandes áreas do Brasil. Foi assim que a Bosísio se tornou nacionalmente conhecida.

Carneiros

Chapéus grossos de lã estiveram entre os primeiros produtos fabricados pelos paulistanos. Já nos primeiros anos da cidade havia indústrias que se dedicavam a fazê-los e a produção só foi interrompida quando no século XVII decaiu a criação de ovelhas, fonte da matéria-prima para o ramo. Entretanto, a indústria chapeleira voltou a revigorar-se. A moda dos chapéus valia para homens, mulheres e crianças com fábricas especializadas nos três segmentos. Fábricas de chapéus de seda, castor e lebre. Fábrica de reformar e lavar chapéus de palha. Fábricas de chapéus de sol. Fábrica de enfeitar chapéus.

Abismo

A Ramenzoni que Ricardo Mansur empurrou para o abismo tinha como concorrente a Chapéus Prada. Esta marca quase era sinônimo de chapéu e, também fundada no final do século XIX. Antes da Prada, funcionou na região central de S.Paulo a fábrica de chapéus do alemão João Adolfo Schritzmayer que, em seu ramo, foi a mais duradoura. Fundada em 1853, viveu alguns bons anos ainda no século XX. Ficava no largo da Memória, ocupando toda a extensão da atual rua João Adolfo (o nome da rua é homenagem ao fundador da fábrica).



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