técnicas de torturas |
| Cadeira ou trono do dragão | Amarra-se a pessoa numa cadeira com muitos eéltrodos.Com o corpo molhado,a intensidade dos choques torna-se mais forte. |
| Clister elétrico | Descargas elétricas na região coccígea que provocam relaxamento dos esfíncteres |
| Corredor polonês | Passagem forçada entre duas alas de torturadores que golpeiam a vítima |
| Ferrinhos | Ferros que são enfiados sob as unhas | Galeto | Vítima pendurada no pau-de-arara debaixo da qual se acende um fogo |
| Hidráulica | Ingestão forçada de grandes quantidades de água |
| Latinhas | Latas com as bordas cortantes sobre as quais a vítima é obrigada a ficar com os pés descalços até que as bordas penetrem na carne |
| Manivela | Aparelho para choques elétricos, manobrado à manivela | Mesa elástica | Mesa de tortura móvel e prolongável |
| Mesa operatória | Mesa de tortura |
| Hóstia sagrada | Descargas elétricas sobre a língua |
| Palmatória | Instrumento de madeira, em geral furado, com o qual é golpeada a vítima | Pau-de-arara | Pau que é enfiado debaixo dos joelhos dobrados da vítima, que passa entre os braços com os pulsos amarrados entre eles. A vítima é depois pendurada no pau apoiado em dois cavaletes |
| Roleta russa | Revólver carregado somente com uma bala., com o qual se atira às cegas sobre a vítima |
| Submarino | Imersão forçada e afogamento parcial |
| Telefone | Golpes com a mão côncava nas orelhas para provocar a ruptura da membrana do tímpano |
No DEOPS, a Cela 3 funcionava como a carceragem feminina. Para a prisioneiras políticas, a equipe de Fleury criou um método de tortura, ao que parece, até então, não aplicada a presos comuns: a injeção de éter nos pés. O procedimento provoca dores atrozes que demoram horas.
As sessões de suplícios diante de pessoas especialmente “convidadas” parece ter sido também uma inovação introduzida pelo pessoal do Esquadrão da Morte. Fleury sentia mais prazer quando se tratava de um casal envolvido conjuntamente no movimento. Nesse caso, a prisioneira era trazida para assistir à sessão contra o marido, ou namorado.
O não envolvimento de parentes com as atividades de um acusado, entretanto, nem sempre os privava de receber os “convites”. Realizavam-se, por exemplo, sessões de “pau arara”, com a assistência de familiares da vítima.
Às vezes, nessas sessões, além da conjugação dos dois métodos de torturas, o próprio “pau de arara” e a presença dos familiares, acrescentava-se um terceiro: os choques elétricos ou a introdução de objeto perfuro-cortante no ânus.
No tocante às presas, havia ainda outro método, seu desnudamento diante dos torturadores. Entre eles, esta técnica era chamada de “strip-tease”.
Sistematizada pelo DEOPS, a tortura contra os presos políticos foi imediatamente adotada pela OBAN (depois DOI-CODI), e por seu intermédio, viria a tornar-se uma triste página na história das Forças Armadas Brasileiras. Com bases nas denúncias, uma organização internacional conseguir fazer um esquema dos métodos de tortura usado nas prisões e nos quartéis brasileiros.
1- Métodos biológicos: fome e sede; posições forçadas; isolamento total e prolongado; calor e frio; cheiros repugnantes, luzes contínuas ou ofuscantes; sons angustiosos etc.
2- Métodos físicos: a) mecânicos: parciais sufocamentos, estrangulamentos, afogamentos etc; esticões do corpo; torções; fraturas; desobturação dos dentes; perfurações; suspensões; compressões; traumatismos; cortes; queimaduras; castrações; violências sexuais; etc. b) elétricos: com eletrodos móveis no corpo; com aparelhos fixos etc.
3- Métodos químicos e farmacológicos: substâncias urentes ou dolorosas nas mucosas oculares, nasais, orais, anais e genitais, gases lacrimogêneos; substâncias derivadas do curare; substâncias psicomiméticas etc.
4- Métodos psíquicos: a) diretos: ameaças de morte; execuções simuladas; torturas morais; ofensas à honra e ao pudor; chantagem etc. b) indiretos: assistência forçada a torturas de outras vítimas; ameaças de violência sobre outras vítimas ou me pessoas que se quer bem etc.
5- Métodos microbiológicos: tentativas de transmissão de doenças contagiosas como lepra etc.
6- Métodos com o uso de animais: insetos que picam ou repugnantes, cobras, ratos esfomeados, jacarés, cachorros ou outros animais que mordem; animais perigosos colocados nas celas ou nos lugares de reuniões forçadas; cobras ou animais repugnantes colocados nas partes íntimas de pessoas amarradas etc.
Embora nem sempre os torturadores desejem deixar marcas mais visíveis nas vítimas, as seqüelas são inevitáveis: o “telefone” tende a causar lesões às membranas do ouvido;as práticas elétricas podem provocar a perda parcial,quando não total,da visão.o tempo pendurado no “pau de arara” tem como conseqüência o atrofiamento ou a paralisia muscular;a latinha, os ferrinhos causam lesões nos pés e nas mãos.
Dos danos psíquicos é praticamente impossível alguém escapar. Muitas pessoas ficaram para sempre com graves perturbações mentais. Foi o caso de Costa Pinto, um dos líderes sindicais dos jornalistas, preso pela mesma operação que me apanhou. Os horrores infligidos a Costa Pinto abalaram-no de tal maneira que seus algozes tiveram de atira-lo no manicômio do Juqueri. Costa Pinto jamais voltou a se recuperar completamente.