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Vinheta desenhada a mão para ser projetada antes do início dos filmes, na cidade de Dobradaonononon
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Primeiro, os exibidores ambulantes disseminaram a paixão pelos filmes. Depois, instalaram-se os cinemas fixos. O alemão Kahurt, por mais de 20 anos fez viagens periódicas pelo Interior paulista fazendo projeções pioneiras em várias cidades
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Folheto do filme King-Kong. Cinema da cidade de Garça |
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Velhos Cinemas do Interior
Houve época em que, à semelhança das igrejas e dos campos de futebol, os cinemas faziam parte da paisagem interiorana. A paixão pelos filmes, levados inicialmente a todos os cantos pelos exibidores ambulantes, fez do cinema local uma questão até de honra.
Piracicaba, parece, foi a primeira cidade interiorana a ver a exibições de filmes em 1896, apenas algumas semanas após a chegada do cinema ao Brasil, com as primeiras exibições feitas no Rio (julho) e em São Paulo (agosto).
Naquele ano, a 23 de outubro, a Gazeta de Piracicaba noticiava: "Cinematógrafo. Tem sido muito freqüentada a exposição deste instrumento fotográfico no salão contíguo ao Chops. No primeiro dia, houve um aperto dos diabos para conseguir entrada no salão e parece que tem continuado a mesma freqüência".
Os primeiros exibidores locavam um ponto por alguns dias e, após esgotada a freguesia — ou esgotado seu estoque de filmes — , partiam atrás de novas praças. Também os circos de cavalinhos acrescentaram os projetores às suas atrações.
De chapéu na mão
Freqüentemente, entretanto, não dispunham os ambulantes de suficiente renda para alugar um ponto. Às vezes, simplesmente, tomavam uma praça, instalavam tela e projetor ao ar livre e, no final das sessões, estendiam o chapéu para recolher alguma paga.
Perfume
Por volta de 1908, começam a pipocar os cinemas fixos, casas usadas por períodos mais longos e já apresentadas como "empresas". São 150 cidades paulistas que já podem orgulhar-se da novidade em 1910. Constituíam-se esses primeiros cinemas em barracões improvisados, sem comodidades, sufocantes nos dias de calor. Para amenizar o ambiente, alguns exibidores mais escrupulosos espargiam perfume na platéia.
Urbanidade
Havia outros gestos de urbanidade. Um deles consistia em exibir na tela letreiros com saudações ao público. Crianças ganhavam balas e bombons nas matinés.
Folhetos
Molhava-se a tela antes das exibições com o uso de uma vara chamada canudo. As projeções eram feitas por trás da tela. Nas ruas, distribuíam-se folhetos com a sinopse dos filmes. Por inabilidade dos redatores, ou para aguçar a curiosidade do público, os textos dos folhetos parece que vinham cifrados.
Ruídos
Um conjunto musical ("orquestra") tocava música conforme o filme. Pessoas, quase sempre crianças, encarregavam-se dos "efeitos sonoros". Cocos batidos ao chão imitavam passos de cavalo, papéis laminados torcidos davam idéia de trovões. Um contra-regra, chefe da equipe, dava a ordem para os sons. A equipe ocultava-se atrás da tela.
Fita
Filme podia ser igualmente fita. Chamava-se de "abacaxi" ao filme ruim. Falava-se em "enchente" para designar a grande afluência do público. O cinema ficava então "à cunha".
Paixão
Nem sempre, o negócio de filmes revelou-se muito rentável. Afora, entretanto, o aspecto econômico, o ramo da exibição respaldava-se na paixão. E não só pelo cinema em si. Também a paixão partidária movimentava o ramo.
Guerrilha
As população de várias pequenas cidades, na época, mal ultrapassava a platéia de um cinema, mas os dois antigos e tradicionais partidos políticos do Estado, o Constitucionalista e o Republicano, mantiveram durante muitos anos uma espécie de guerrilha no Interior. Se alguém de um dos dois partidos abria um cinema, o outro lado se obrigava a fazer o mesmo.
Tentando equilibrar a receita e, quem sabe, fazer proselitismo, os pequenos exibidores usavam alguns expedientes. O mais inocente consistia em realizar sessões grátis de propaganda. Permanentes eram vendidas a preços irrisórios, dando direito à família, pelo mês inteiro. E, não raro, um cinema anunciava um grande filme: dias antes o mesmo filme estava no cinema rival.
As artimanhas pouco valiam. Perrepista de vergonha na cara não pisava em cinema constitucionalista, sendo a recíproca igualmente verdadeira.
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