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Conselheiro Crispiniano
Escravos fugidos se acoitavam nas matas virgens existentes "quase no centro da Freguesia de Santa Efigênia, no Campo do Chá", denunciava o vereador Toledo Pacheco aos seus pares, em 1870. Por isso, ele pedia que se mandasse roçar as matas e se providenciasse a abertura das ruas projetadas para o local.
Morto, em 1876, o Cadete Santos (Joaquim José dos Santos, o Barão de Itapetininga), dono do Campo do Chá, parte de sua herança foi destinada à abertura daquelas ruas, uma das quais a Conselheiro Crispiniano cortaria transversalmente o chamado Morro do Chá. Poucos meses depois, no alto do morro, exatamente no lugar em que hoje se ergue o Teatro Municipal, o alemão Gustavo Sydow abriu a primeira serraria a vapor de São Paulo.
E logo também se tornariam famosas as pensões elegantes da rua Conselheiro Crispiniano. Entenda-se por pensões elegantes, não um simples eufemismo, mas o designativo para verdadeiras instituições da época que recebiam realmente como pensionistas, mulheres (muitas delas coristas das companhias artísticas em excursões), e homens, estes normalmente abastados fazendeiros do interior e destinados a curta permanência.Construção de 1896, por Ramos de Azevedo para o sr. J. Paulino Nogueira. Ocupava o número 316 da rua Cons. Crispiniano. Foi sede do 2º Exército.
Tão tradicionais tornaram-se as pensões elegantes da Conselheiro Crispiniano que até documentos oficiais as tomavam como referências. Quando, em 1902, se falou na localização do futuro Teatro Municipal, a sugestão aceita foi a de "um terreno magnífico entre as ruas Barão de Itapetininga, Conselheiro Crispiniano, Formosa até o Palacete onde esteve o Palais Royal.
O Palais Royal, o Palais Elegant, a Estrela Monmartre foram pensões elegantes da Conselheiro Crispiniano. A Estrela Monmartre, nos fundos do Municipal, e, em frente ao Palais Royal, do outro lado da rua Conselheiro Crispiniano, funcionou num palácio em estilo mourisco e virou salão de danças nos seus últimos anos. Quando foi demolido, na década de 50, deu lugar ao prédio da Casa Rivo cuja cascata na fachada encantou algumas gerações de crianças.
Por essa altura, porém, a Conselheiro Crispiniano já perdera há muito a tradição das pensões elegantes. Tornara-se rua comercial, principalmente depois que o Mappin veio parcialmente instalar-se nela. Começou então outra tradição. Nos finais de ano, quando o Mappin esticava seu horário de funcionamento, dezenas de rapazes ficavam à porta da saída loja, na rua Conselheiro Crispiniano. Esperavam pelas suas namoradas que trabalhavam como balconistas.
Consta que o Clube Arakan, promotor dos bailes carnavalescos mais famosos da cidade, na época, com escritório num prédio em frente à saída do Mappin, distribuía ingressos gratuitos às moças da loja. Com isso garantia uma grande presença feminina, ponto alto do seu carnaval.
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