Acima, trecho da Consolação onde viria a existir o Cine Minerva (começo do séc. XX). Abaixo, o trecho onde, no espaço do Cine Minerva, foram construídas as casas de números 1469 a 1495 (quase em frente à rua Sergipe), e, finalmente, os trechos já com aquelas casas demolidas



Aqui existiu o Regência (foto de Abrão Berman)


e aqui o Picolino (foto de Abrão Berman)

Consolação

América — Avenida (então rua) da Consolação, 324 (antigo), correspondente ao número 1992 atual. Ao fundá-lo em 1914 o sr. José Américo provavelmente quis se auto-homenagear e, ao mesmo tempo, demonstrar um toque de cosmopolitismo. Batizou-o como Cinema American. No ano seguinte, passa a chamá-lo Biógrafo Variedades. O novo nome perdurou apenas alguns meses. 1916 já traz a volta do antigo nome à casa, desta feita com sotaque português, mas sintaxe inglesa: América Cinema. Primeira, e durante muito tempo, única sala exibidora da região sudoeste, o América recebia o público dos Jardins (que na época de sua fundação nem sequer existiam), de Pinheiros e de outros bairros. Zélia Gattai, segundo conta em sua autobiografia, foi uma de suas freqüentadoras. Era uma sala pequena com balcões e platéia de cadeiras fixas e basculantes. Só veio a fechar em 1946.

Minerva — Avenida Consolação, 217(antigo), à altura de número 1499, onde hoje está o Tribunal Justiça. A atual avenida da Consolação, em tempos idos, não passava do tortuoso Caminho de Pinheiros que servia de união entre o distante bairro de Pinheiros, ponto de passagem de viajantes vindos das vilas ao sul, e o núcleo central de São Paulo. Surgiu então a rua da Consolação, de início, com término à altura do cemitério. A nova rua, entretanto, continuou a ser via de passagem de tropeiros que vinham negociar no centro da cidade. Como a caminhada era exaustiva, a família Lavieri começou a explorar num amplo terreno de sua propriedade um rancho destinado a proporcionar repouso aos tropeiros, tipo de negócio comum em alguns pontos da cidade. Chegou o cinema e no lugar do antigo rancho foi montada em 1915 a segunda sala de exibição da então rua da Consolação que teve inicialmente o nome de Minerva e depois, Guarani. Seu destino, porém, foi diferente do seu antecessor na mesma via e durou pouco mais do que cinco anos.

Astúrias — Avenida da Consolação, altura do número atual 2403 (número antigo 467). Fundado em 1931, onde antes existira a Garagem Luso-Paulista, dos irmãos Sanseverino. Caracterizava-se por sua tela colocada em sentido contrário à da entrada dos espectadores. Tornou-se especialista nos lançamentos de seriados, filmes divididos em episódios cada um deles exibidos em dias subsequentes e suspensos no meio de uma cena de perigo cuja culminação se daria no próximo episódio. Funcionava numa casa de propriedade da sra. Júlia A.Prado Penteado e fechou em 1943.

Ritz — Mesmo endereço do Astúrias. Em 1944, o antigo prédio do Astúrias foi reformado e no lugar inagurou-se o Ritz da Consolação, assim chamado porque tinha um homônimo mais velho na avenida S.João. Fechou no final da década de 50. Ocupa atualmente o lugar uma unidade das Casas Pernambucanas.

Majestic — Rua Augusta, 1475. Fundado em 1950, de propriedade do sr. Nassib Jacob. Fechado na década de 70. No seu lugar funciona hoje o Espaço Unibanco.

Picolino — Rua Augusta, 1513. Quase vizinho ao Majestic e inaugurado pouco depois dele. Construído num espaço anteriormente ocupado por duas casas de propriedade do sr. Natagi Rahal. Fechado em 1969.

Rio — Avenida da Consolação, 1992 (onde era o cine América). Em 1947, o antigo Cine América virou um rinque de patinação. Mais tarde, a Rádio Record arrendou o lugar e em 1952 ali foi inaugurado o Cine-Rio, com poltronas estofadas ao contrário das cadeiras de madeira do cine América. Seis anos depois, a TV-Record ocupou o espaço para transformá-lo em seu auditório-teatro, destruído por um incêndio em 1970. Hoje no lugar está uma agência do Banco Real.

Regência — Rua Augusta,973. Inaugurado em 1953 num lugar onde antes existia uma floricultura. Quando em 1957 foi exibido o filme Ao Balanço das Horas (Rock around the clock) a platéia não resistiu ao embalo e promoveu um quebra-quebra no cinema. Desativado no final da década de 60 virou auditório da TV-Record.

Marachá — Rua Augusta, 780. Teve uma época gloriosa nos meados da década de 70, com as suas "sessões malditas" com filmes de horror exibidos à meia-noite. O declínio e a hora final, porém, também não tardaram. Inaugurado no início dos anos 50 legou o seu espaço primeiro para um estacionamento e agora para o Hotel Panamericano.

Trianon — Consolação, 2423. Inaugurado em 1959 foi demolido em 1965 para o alargamento da Consolação. Parte do seu espaço veio a ser ocupado a partir de 29 de julho de 1967 pelo atual Belas Artes.


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