O antigo caminho do sertão


O bairro e a rua da Consolação (1912). Assinalada a igreja provisória A rua da Consolação terminava em frente ao cemitério. Quem se dispusesse a enfrentar o sertão para chegar ao bairro de Pinheiros tinha, então, que pegar um desvio à esquerda, um simples trilho de acesso à estrada de Pinheiros — esta também, nada invejável obra de engenharia traçada entre as atuais Cardeal Arcoverde e Rebouças.

Paulista

Em 1891, inagurou-se a Paulista. Gente graúda foi morar lá. Tornava-se urgente ligá-la melhor ao centro da cidade. Prolongou-se e retificou-se à Consolação. Para isso, tornou-se necessário recuar o cemitério, mudando-se a sua entrada para a rua da Consolação. Feita a exumação dos cadáveres do trecho desapropriado, com exceção dos das valas comuns, o terreno foi nivelado e entregue ao trânsito público.

Chamas

Aconteceu assim que nas noites quentes tornou-se freqüente ver-se na escuridão os fogos fátuos, exalações fosfóricas perdendo-se no ar numa espécie de dança ígnea. O povo dizia que eram almas cujos donos praticaram maus atos — e nomeavam-nos, lembrando suas ações, mais ou menos, reprováveis, conforme fossem as chamas mais ou menos longas, mais ou menos brilhantes.

Passagem

Entretanto, a Consolação continuou a ser um ponto de passagem, como já fôra muito antes de ali, em 1856, instalar-se o cemitério. Tinha servido de caminho aos índios nas suas viagens ao planalto — e São Paulo nem existia ainda. Depois veio o bonde puxado a burro, depois o bonde elétrico. Nas tardes de quintas-feiras as mocinhas aboletavam-se nos coletivos para vesperais do magnífico Cine Odeon. Numa deferência especial às gentis senhoritas, o bonde as deixava à porta do cinema, num convênio com o Odeon, inaugurado em 1928.

Veja também:

Cine Odeon
Cinemas da Consolação


VOLTA - BAIRROS

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