Corpus ChristiRealizava-se a procissão do Corpo de Deus, ou Corpus Christi nos meados do anos e para recebê-la São Paulo se transformava. Tratava-se de um verdadeiro espetáculo com as cores que lhe davam os corcéis ornamentados e cavaleiros africanos, ricamente vestidos ao qual se juntava a imagem em madeira de São Jorge, de lança e escudo também a cavalo, também ricamente vestida.São Jorge, o padroeiro do préstito, entrava na história, como Pilatos no credo. Fazia já parte da tradição portuguesa que a imagem do santo fizesse parte da procissão do Corpo e seu acompanhamento, chamado de calvagata dava as características de carnaval ao préstito religoso. Este era chamado também de Procissão de São Jorge. A folia começava na véspera, com uma passeata iluminada a archotes e os animais que deviam participar procissão, já enfeitadas de fitas multicoloridas. Rapazes faziam deles alvos de grandes buscapés, provocando seus corcovos avanços em direção do público. À passeata dava-se o nome de Timbales. Três cavaleiros negros participavam. Vestia calções amarelos, coletes vermelhos e capas agaloadas da mesma cor, mais chapéus com plumas. Dois cavaleiros tocavam clarim a sons descompassados, enquanto o terceiro tangia dois tímbales. Havia também um cavaleiro chamado Casaca de Ferro, encarregado de abrir a marcha, que envergava armadura de papelão pintado e hasteava bandeirola vermelha com cruz branca no centro. E surgia São Jorge, capa de veludo de carmesim agaloada, chapéu com pluma branca, lança em riste. A imagem merecia gastos especiais para maior presença. Registra-se despesas "com quem trançou o cavalo do santo, fez a manta ,pintou e dourou os cascos" e também despesas com a compra de "fita cor de rosa para remate das tranças da cavaldura de São Jorge. Sete anos depois, gastou-se dinheiro com uma crineira e com asseio para o cavalo da montaria do Santo. Uma tragédia em1872,deu fim a tradição da Calvagata de São Jorge. Quando a procissão passava pela rua XV de Novembro (então rua da Imperatriz), a maciça imagem do santo, com um desequilíbrio do cavalo que a carregava, caiu sobre a cabeça de um soldado de sua guarda, matando-o. Desvinculada da calvagata de S. Jorge, a Procissão do Corpo de Deus continuou a ser realizada.
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