Crime no Convento

Não se podia dizer que o frei Antônio Inácio do Coração de Jesus e Melo,prior do Convento de Nossa Senhora do Monte do Carmo, fosse uma pessoa muito querida em São Paulo.As circunstâncias, entretanto, do seu brutal assassinato, no dia 5 de agosto de 1859, chocaram a cidade.
O Convento do Carmo localizava-se no começo da atual avenida Rangel Pestana, então largo do Carmo, à altura do espaço hoje ocupado pelo edifício da Secretaria da Fazenda. Dividia-se em duas construções, o velho e o novo convento, contendo este último o dormitório, composto de oito celas, uma delas ocupada pelo prior.
Na manhã daquele dia, encontrara-se o corpo do prior em sua cela. Fôra estrangulado durante a noite.
Frei Inácio distinguia-se pela sua extrema avareza. Costumava também tratar com desmedida aspereza às muitas pessoas a quem não devotava simpatia, entre elas, os escravos, e os que com ele iam tratar de negócios.
Sua irascibilidade grangeou-lhe muitos inimigos, mas não foi difícil chegar-se aos assassinos, dois escravos. Embora chocada pelo crime, a população não hesitou em atribui-lo ao excessivo rigor com que o religioso tratava os seus escravos.
Levados ao júri, os criminosos escaparam à forca, graças à eloqüência do seu o advogado, o estudante de Direito José Vieira Couto de Magalhães. Ambos receberam a condenação perpétua às galés.

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