Sargento brasileiro mata coronel francês

Durante a dura reprimenda, o oficial francês, em sua língua,falara em pescoço. O sargento brasileiro que de tudo o que ouvira, pensou em ter entendido só aquela palavra, julgou-se profundamente insultado. E esperou a hora para a lavagem da honra.
No começo do século XX, a Força Pública (atual Polícia Militar, PM) contratou oficiais franceses para instruir seus soldados. Entre eles, chegado a 25 de março de 1906, estava o tenente coronel Raoul Negrel, instrutor da Infantaria. Semanas depois, o oficial Negrel dirigiu as ríspidas palavras ao sargento. Ríspidas, sim, mas nem tanto quanto o sargento entendera.
A ofensa, entretanto, foi julgada pesada demais, mesmo vindo de um superior para um subordinado. E o sargento arquitetou a vingança.
Saindo ele para uma missão, ao devolver a munição na volta, reteve dois cartuchos sob o pretexto de tê-los usados em trabalho. Passados alguns, o oficial Negrel estava dando instruções a outros soldados, quando foi repentinamente atingido pelo tiro do sargento.
Negrel caiu morto sem dizer um ai. Preso, o sargento confessou o móvel do crime.
A notícia abalou a cidade e a dividiu porque correra o boato de que, num acesso de superioridade racial, o oficial francês descarregara a chibata contra o rosto do sargento. Enquanto isso, os oficiais patrícios de Negrel, exigiam o fuzilamento do assassino, em nome da disciplina militar, segundo regia o código militar francês.
No código militar brasileiro não constava, porém, a pena de morte, e o sargento foi condenado a 30 anos de prisão.


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