Cronologia da Independência - 1882

Janeiro
12 - Carta regia do príncipe regente D. Pedro d'Alcântara ao Governo de S. Paulo pedindo auxílio de tropa por causa da sublevação da divisão do exército português no Rio de Janeiro, ao mando do general Jorge de Avilez, que tivera lugar no dia antecedente.

Teor da carta régia


"Governo provisório da província de S. Paulo, amigo.. Eu Príncipe Regente vos envio muito saudar. Acontecendo que a tropa de Portugal pegasse em armas, e igualmente a desta cidade, por mera desconfiança, dei todas as providências possíveis, e convencionaram os de Portugal passar para a outra banda do rio até embarcarem-se para Portugal; e como por esta medida ficasse a cidade sem tropa necessária para a sua guarnição, e mesmo sem com que se defender, no caso de ser atacada: exijo de vós que sois seguramente amigo do Brasil, da ordem, da união de ambos os hemisférios e da tranquilidade, que, não desfalcando a vossa província ajude esta e se consiga o fim por mim e por vós tão desejado, e exijo com urgência. Escrita no palácio da real Quinta da Boa Vista, às 7 horas da noite de 12 de janeiro de 1882.- Príncipe Regente - Para o governo Provisório da província de S. Paulo."

16- Nomeação do Paulista José Bonifácio de Andrada e Silva, para ministro e secretario do Estado dos negócios do reino do Brasil, e estrangeiros.

Maio
23- Sedição na Capital de S. Paulo, para a deposição dos membros do governo provisório Martim Francisco, e brigadeiro Jordão, e conservação do presidente do mesmo governo João Carlos de Oeynhausen , que era chamado á corte pelo governo do príncipe regente: os dois membros deram-se por demitidos, sendo o primeiro obrigado a retirar-se para o Rio de Janeiro, por ordem do governo provisório, e acompanhado por um oficial militar.
A sedição, eclodida a 23 de maio de 1822,entrou para a história com nome de Bernarda de José Ignácio. Foi o resultado de uma série de desavenças políticas entre facções rivais, uma das quais tinha como um dos seus líderes o presidenta da Junta Governativa da Província de São Paulo, João Carlos de Oeynhausen Gravenburg. Este, em funções da disputa, foi convocado pelo presidente regente D. Pedro a apresentar-se à Corte no Rio.Com sua viagem, Martin Francisco de Andrada Silva, seu adversário ocuparia a presidência da Junta Governativa. Oeyhausen não atendeu à convocação e, instigados por ele, correligionários provocaram o levante.
Numa nota á parte de sua proclamação de despedida aos paulistas, após a Independência, D. Pedro faz referência aquele acontecimento:
''Quando em S. Paulo surgiu dentre o brioso Povo daquela agradável, e encantadora Província, um partido de Portugueses, e Brasileiros degenerados, totalmente afetados às cortes do desgraçado e encanecido Portugal, parti imediatamente para a Província, entrei sem receio, porque conheço, que todo o povo me ama, a ponto, que a nossa Independência lá foi primeiro, que em parte alguma proclamada no sempre memorável sítio do Ipiranga. ''Foi na Pátria do Fidelíssimo, e nunca assaz louvado Amador Bueno da Ribeiro"

Junho
25- Decreto, cassando os poderes do dito governo provisório.

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Julho
4- Nomeação do Paulista Martim Francisco, para ministro de Estado dos negócios da Fazenda.

16- Entrada em S. Paulo do Marechal José Arouche de Toledo Rendon, nomeado governador das armas da província, apesar da oposição feita a essa entrada por uma parte do povo e tropa.

18- Chegada ás imediações da capital de uma força militar vinda de Santos ao mando do marechal Cândido Xavier de Almeida e Souza, para apoiar a posse do novo governador das armas Arouche. A tropa de S. Paulo se pôs em armas, e grande parte do povo correu ao quartel, impedindo-se assim a entrada dessa força.

19- Entrou na Capital somente o marechal Cândido Xavier de Almeida e Souza, para conferenciar com o governo provisório. A força retrocedeu para Santos. O marechal Arouche desistiu de tomar posse.

Agosto
25- Entrada solene do príncipe regente D. Pedro de Alcântara na capital de S. Paulo.

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Setembro
5- Partida de d. Pedro de S. Paulo para Santos.

7- Volta de D. Pedro, de Santos, e proclamação da Independência do Brasil nos campos do Ipiranga, chegando D. Pedro de tarde á capital, onde à noite foi vitoriado no teatro, e aclamado, dando o padre Ildefonso Xavier Ferreira o grito três vezes repetido de - Viva o Rei do Brasil.

8- Proclamação do príncipe regente em S. Paulo despedindo-se na volta para a corte. Honrados Paulistanos!- O amor que Eu consagro ao Brasil em geral, e a vossa província em particular, por ser aquela, que, perante Mim, e o Mundo inteiro, fez conhecer, primeiro que todas, o sistema maquiavelico, desorganizador, e facioso das cortes de Lisboa, me obrigou a vir entre vós fazer consolidar a fraternal união, e tranqüilidade, que era ameaçada por desorganizadores, que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa, a que mandei proceder. Quando Eu mais que contente estava junto de vós, chegam notícias que de Lisboa os traidores da Nação, os infames deputados pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe de seu seio seu Defensor: Cumpre-me como tal tomar todas as medidas que Minha imaginação Me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madurez, que em tais crises se requer sou obrigado para servir ao meu ídolo, o Brasil, a se separar-me de vós (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir Meus Conselheiros, e Providenciar sobre negócios de tão alta monta. Eu vos asseguro que coisa nenhuma me poderia se mais sensível, do que o golpe que a minha alma sofre, separando-me de meus amigos Paulistanos. A quem o Brasil, e Eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de uma Constituição liberal e judiciosa. Agora, Paulistanos, só vos resta conservardes união entre vos não só por ser esse o dever de todos os bons Brasileiros, mas também porque a nossa pátria está ameaçada de sofrer uma guerra, que não só nos há de ser feita pelas tropas, que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelo seus servis partidistas, e vis emissários, que, entre nós, existem, atraiçoando-nos. Quando as autoridades vós não administrarem aquela justiça imparcial, que delas deve ser inseparável, representai-me, que Eu providenciarei. A divisa do Brasil deve ser - Independência ou Morte. Sabei que, quando trato da Causa Pública, não tenho amigos, e válidos em ocasião alguma. ''Existi tranqüilos ; acautelai-vos dos faciosos sectários das cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasião com o vosso defensor Perpetuo
Paço, em 8 de setembro de 1882.

Príncipe Regente.''

9- Criação em S. Paulo do Corpo Cívico - sustentáculo da Independência Brasílica.
9- Decreto do príncipe regente providenciando sobre o governo da província interinamente "Devendo Eu partir para a corte por assim o exigirem as medidas, que sou obrigado a tomar a bem do Brasil; E tendo cassado o governo desta província por Meu Real Decreto de 25 de junho do ano corrente: Hei por bem determinar, que as autoridades, que sucediam na falta dos capitães generais, fiquem encarregadas do governo desta província, como ordena o Alvará de 12 de setembro de 1770, até á instalação da junta provisória, que mandei eleger, Luiz de Saldanha da Gama, Meu Ministro e Secretario d' Estado inteiro, o tenha assim entendido, e faça executar, expedindo os despachos necessários. Paço de S. Paulo, em 9 de setembro de 1822. ."

10- Partida do príncipe regente na volta de S. Paulo para a corte.

23- Decreto, mandando cessar e ficar sem nenhum efeito a devassa, a que se procedera na província de S. Paulo, pelos sucessos do dia 23 de maio de 1882, e outros que a esses seguiram; pondo-se em liberdade os que estivessem presos.


BECO DA QUERELA - SÃO PAULO ANTIGO

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