Desenvolvimento do Brás

O bairro do Brás se desenvolveu a partir de três grandes latifúndios, a Paragem de José Brás, a Chácara do Nicolau e a Chácara do Ferrão. Esses três nomes, entre vários mais, serviam para designar antes a região do atual bairro, até que o primeiro acabou, parece, por inspirar a denominação finalmente adotada.
As duas primeiras propriedades já aparecem num documento da Câmara de 4 de março de 1769,quando se notícia que "se despacharam várias petições que concorreram das partes, e na mesma se passou um mandado dos moradores do Pari para fazerem as pontes que ficam no caminho de José Brás até a chácara do Nicolau". Quanto à terceira, deve ser aproximadamente, da mesma época, pois em 1752, seu proprietário, era presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
A Chácara do Ferrão ficava às margens do Tamanduateí e nela se iniciava um caminho que levava até a Penha. Seguia, então, o Caminho da Penha, ladeado pela terra da Chácara do Ferrão até aproximadamente onde hoje está a igreja do Bom Jesus do Matosinho. Daí em diante, as terras se dividiam entre as duas outras propriedades, com o caminho a separá-las. Vindo do Pari, a Paragem do José Brás chegava às suas margens esquerda para ficar de frente com a Chácara do Nicolau, que avançava em direção ao atual bairro da Mooca. O Caminho da Penha surgira de uma trilha aberta pouco depois da fundação de São Paulo e que já servira aos primeiros bandeirantes em sua missão de desbravação dos territórios ao norte. Sobre o seu leito, estendeu-se em 1725 o primeiro trecho da estrada para o Rio. E na região do futuro bairro do Brás, começaram a despontar os casebres de pau a pique, alguns deles como ponto de abastecimento aos viajantes.
A 1o de Janeiro de 1803,inaugurou-se a capelinha do Bom Jesus do Matosinho, construída às expensas do cel. José Correia de Moraes, dono de uma chácara em frente. Datas (cessões) de terras em torno do novo templo começam a ser, pouco a pouco, concedidas. No dia 27 de agosto 1819, a capela de Bom Jesus do Matosinhos torna-se freguesia, com o reverendo Joaquim José Rodrigues como seu primeiro vigário.
Entrementes, a Penha se desenvolvia. Ali começam a realizar-se as concorridas festas de Nossa Senhora da Penha. É um impulso para o Brás que acolhe em seu templo, os fiéis em trânsito.
Nesse começo do século XIX, notou o monsenhor José Marcondes Homem de Melo, o Brás, afora os seus casebres, tinha algumas chácaras pertencentes a pessoas ricas da cidade, às margens do Caminho da Penha, ou de seus dois braços (o caminho do Pari e o caminho da Mooca). Deixadas por conta dos seus caseiros ou escravos, as chácaras só eram visitadas por seus donos na ocasião do Natal. Entretanto, também já se multiplicavam as pequenas chácaras de moradia.
Os três grandes latifúndios do Brás de há muito haviam sido divididos em propriedades menores. Não obstante, o bairro continuava a ostentar um ar bucólico que inspirava os escritores. "Aquela capela de São Brás, com seu campanário branco e aquelas casas dispersas pela planície exalam um perfume idílico que eleva a imaginação, escreveu Bernardo Guimarães, em 1839, no romance A Enjeitada. Um viajante, o jornalista português Emílio Zaluar, em 1860, anotou: "Entramos em São Paulo pelo lugar chamado Brás. É um dos arrabaldes mais belos e concorridos onde residem muitas famílias abastadas".
Num ritmo crescente, porém, as chácaras iam se desmanchando. Chegavam os imigrantes. Em 1886,o Brás já tinha seis mil habitantes. Sete anos depois, o número se multiplicava por cinco. O Brás mudara de feições, com uma população predominante de italianos e fábricas erguidas no lugar das chácaras. Na década de 40,os nordestinos começam pouco a pouco a substituir os italianos.


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