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Direita, direta
Havia uma loja que anunciava nos rádios: "ao passar pela rua Direita, não deixe de ver as camisas da Casa Kosmos". Faziam piada: "Ao passar pela rua Direita não deixe de ver que ela é torta".
Berço
É torta mesmo. Delineou-se sem nenhum planejamento, por força da necessidade. Saia-se do berço de S.Paulo, o Pátio do Colégio e ganhava-se o sertão, passando-se pela Igreja da Misericórdia, mais uma caminhada, a Igreja de S.Antonio e estava-se no fim do planalto. Dali precipitava-se para o Vale do Anhangabaú, subia-se aquilo que viria a chamar-se Ladeira do Piques (Quirino de Andrade) e ganhava-se o caminho de Pinheiros, atual Consolação. Entrava-se no sertão.
Planalto
Por estar aquele primeiro trecho no Planalto, e não por ser absolutamente reto é que a rua ganhou o nome de Direita. Inicialmente, Direita de S.Antonio. Também Direita da Misericórdia. Os templos religiosos eram as referências.
Moradores
Quando foi feito o primeiro censo de S.Paulo, a rua Direita já era a principal da cidade. Segundo uma descrição da época terminava num beco sem saída, "do largo da Sé até Santo Antonio", e ainda segundo a mesma descrição nela residiam negociantes ricos, pessoas gradas, "e estava cheia de lojas de fazendas secas". Pelos séculos, habitaram-na moradores graúdos, gente com título de nobreza ou com muito dinheiro. Ainda na década de vinte a rua misturava algumas residências e lojas chics. Depois ficaram só as lojas chics. Agora ficaram só as lojas.
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