Indicador da Indústria de Doces de S.Paulo Atual

Cidade doce

Foi doce um dos primeiros sustentáculos econômicos da cidade. São Paulo ainda não passava de um arraial e a marmelada imperava em seu dia a dia, isto é, a marmelada no sentido lato da palavra. Comia-se, até por falta de opção, muita marmelada, exportava-se marmelada e marmelada servia freqüentemente de meio circulante, moeda de troca, mesmo porque não havia muitas outras opções.

Quitanda

Essa precoce vocação fabril para a produção de doces, porém, parece ter sido interrompida durante séculos. Os dois primeiros almanaques comerciais publicados na cidade, 1857-1858, não trazem referências a fábricas de doces e nem sequer registram o ofício de doceiro.

A feitura de doces para a venda era de responsabilidade das escravas. Nas chácaras ao redor da cidade, produziam-se vários alimentos, inclusive doces, comercializados por escravos nas ruas, a mando do seu donos, num sistema chamado de "quitanda". Figuras ilustres da cidade não hesitavam em entregar-se aos negócios de quitanda.

Chocolate

Consumia-se o chocolate mais em sua forma líquida, como alternativa do chá e do café. Em 1873, o sr. Eugênio Maurício Bolidair, com estabelecimento na rua da Imperatriz, 50a (rua XV de Novembro), anunciava-se como "fabricante de chocolate e de águas gasosas". No Almanaque da Província de São Paulo para 1885, aparece a fábrica de "doce nacional" da viúva Reis, dona de uma das primeiras pensões aristocráticas de São Paulo.

Naquele mesmo ano de 1885, após uma passagem comercial por Minas Gerais e Rio Grande do Sul, chegaram a São Paulo os irmãos Falchi, Emídio, Panfiglio, Bernardino, italianos que montaram em Vila Prudente a primeira indústria de chocolates da cidade. Inicialmente uma fábrica pequena, mas montada com maquinaria apropriada e direção profissional, a fábrica Falchi desenvolveu-se rapidamente transformando também a Vila Prudente, bairro onde se estabelecera que, de um lugar deserto, virou uma vila fabril, com comércio ativo, escolas, residências mais ou menos confortáveis, escolas e outras fábricas.

Banqueiros

Como grande parte das indústria da época, a Falchi entregava-se também às atividades de importação e comércio trazendo da Itália cereais, farinhas e açúcar. Os irmãos associaram-se ainda aos Matarazzo para a fundação do Banco Comerciale Italiano di São Paulo.

Após a consolidação de sua indústria, os irmãos Falchi resolveram voltar para a Itália com a conseqüente transferência da fábrica para os netos Menotti e Giuseppe. Apesar de uma concorrência pulverizada mas acirrada que começaram a sofrer, os dois herdeiros, associados agora a Menotti Papini, ampliaram a produção da indústria, agora numa fábrica muito maior na avenida Tiradentes.

Concorrência

Não tardou para a Falchi enfrentar um concorrente à sua altura, a indústria Lacta, ainda existente. Hoje nas mão de uma multicional, a Lacta foi durante muito tempo propriedade da família de Adhemar de Barros, interventor em São Paulo, prefeito da cidade e duas vezes governador do Estado (não cumpriu o segundo mandato inteiro, pois foi cassado pelos militares, logo após o movimento de 64). A Lacta explora as duas marcas mais antigas de chocolate do Brasil: Sonho de Valsa e Diamante Negro, este criado com base no cognome dado ao centro-avante Leônidas da Silva, destaque no Campeonato Mundial de Futebol de 1938 e inventor da jogada chamada "bicicleta".

Bolachas

Fábricas menores de caramelos, confeitos, bombons, bolachas fincaram tradição no mercado doce da cidade antiga. Famosos foram os chocolates dos irmãos Dizioli comercializados sob a marca Japonesa. Mais sofisticados do que os produtos Falchi e Lacta, eram os chocolates Gardano.

Da Barra Funda, o sr.Luiz Betalle comandava a Luzitânia, antiga fábrica a tração elétrica. As crianças e os adolecentes das décadas de 4o e 50 eram os grandes consumidoras das Balas Futebol fabricada pela A Americana da rua do Gasômetro. As balas Futebol não primavam pelo sabor, mas ninguém estava interessado nisso. Seu consumo prendia-se apenas às figurinhas de jogadores de futebol ocultas pela embalagem. Havia as figurinhas fáceis e difíceis e uma especialmente difícil, a "carimbada". Só com esta podia-se completar os álbuns de figurinhas que dava direito aos pouco valiosos prêmios prometidos.

Confiança

O sr. Nicola Infante montou na rua Major Diogo, Bexiga, a sua fábrica Bella Vista. Uma sobrinha sua fundou A Confiança. Os furgões dessas duas fábricas alimentavam as vendas de bairros com os doces de batata e abóbora em forma de coração, as marias-moles, as velas adocicadas e vários outros tipos de doces que alimentavam as crianças do bairro. Fabricavam-se chocolates em forma de relógios, em forma de cigarros, de garrafinhas com licor dentro.


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