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Drive-ins, lanterninha, HO, canudo. Liberou
Antes mesmo que a fabricação local tornasse mais acessível o veículo próprio, começaram a pipocar os "drive-ins". Institucionalizava-se a bolinação. Para uma minoria, porém. A grande parte ainda precisava recorrer aos muros. Havia o recurso do cinema só que também implicava num dispêndio financeiro. Corria-se o risco ainda da vigilância do lanterninha. Este tinha um prazer sádico em surpreender os casais em flagrante delito. Às vezes, apenas advertia os sem-vergonhas com algumas piscadas da lanterna. Outras vezes, engrossava. Mesmo assim, corria-se o risco. Famoso para a prática era o cine Regência na Augusta.
Fora de moda
Bolinar é palavra que saiu de moda. O Aurélio ainda registra em várias acepções. Na que tange ao assunto em pauta, registra como chula. Seus sinônimos, também fora de moda, eram ainda mais chulos: encoxar, tirar um sarro, mexer nos peitinhos, só por nas coxinhas e por aí afora. Entre algumas moças, dizia-se: "dar os juros sem mexer no capital".
"Fazer amor" apareceu só no final dos cinqüenta e tinha sentido mais amplo. "Transar" chegou já no final dos sessenta, lançado ou popularizado pelo jornal O Pasquim e podia significar ir até as últimas conseqüências, ou ficar só nos sarrinhos. Ambas as expressões, contudo, limitavam-se ao pessoal mais liberado.
Outras fora de moda
"Cabaço" ou "cabacinho" para moça virgem. "Açougue", apartamento alugado por grupo de homens para prática libidinosas (com mulheres, não entre eles, e por turnos, cada casal por vez. (Esta última regra evidentemente podia ser quebrada). Quem podia alugar apartamento sozinho ou em dois preferia chamar o apartamento de "garçonniére". Com as amigas mais íntimas, moça que ia à "garçonniére" referia-se ao apartamento como "escritório".
HO
Os "hotéis familiares" quebravam o galho, mas moça de família raramente topava. Usavam um código esses hotéis: HO. Assustavam porque serviam mais para prostituição. A polícia sempre dava batidas. Nos hotéis sérios, exigiam-se certidões de casamento para a hospedagem.
Nos jornais, os HOs. recebiam o nome de hotéis para curta permanência. Herdeiros de uma tradição antiga. Debates na Câmara Municipal (sim, era assunto também para vereadores) falam de hotéis suspeitos em 1872, na rua de Santa Teresa (que se chamara antes rua Detrás da Sé)
Canudo
Situação complicada naqueles tempos. Os hotéis não exigiam só certidão, pediam carta de apresentação. Sempre se deu um jeito, todavia. Construiu-se no Jardim da Luz, em 1886, um edifício destinado a uma estação meteorológica. A estação não vingou, o edifício virou mirante. Apelidaram-no de Canudo. Era uma torre cilíndrica mais ou menos alta. Pagava-se para entrar. Quase um arranha-céu, as escadarias estreitas davam vertigens a quem queria chegar ao último andar. Virou motel, na concepção brasileira de motel. Foi destruído em 1900.
Pílula
Sessenta anos depois inventaram a pílula anticoncepcional. Nessa mesma década, alguém ergueu uma faixa num show do Tuca: "Virgindade dá câncer". No final dessa mesma década, apareceram os motéis. Liberou geral.

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