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Edu Chaves, 1914 |
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Edu Chaves
O francês Roland Garros,o primeiro aviador a atravessar o Mediterrêaneo e, posteriormente, herói da Primeira Guerra Mundial, veio a São Paulo, em 1912. Foi ele que realizou o primeiro vôo de São Paulo a Santos, transpondo a serra.
Num intervalo de poucos dias, Garros repetiu a travessia. Desta vez, acompanhou-o em outro aparelho, um jovem aviador paulista, Eduardo Pacheco Chaves, popularmente conhecido como Edu Chaves.
Brevetado na França no ano anterior, e amigo de Santos Dumont, Edu Chaves trouxera daquele país alguns aviões fundando com eles em Guapira (SP), a primeira escola de pilotos do Brasil.
De temperamento algo retraído, arredio à busca de publicidade, Edu Chaves tinha 25 anos, quando, a 23 de abril daquele mesmo ano, surpreendeu a todos, realizando a primeira travessia Rio-São Paulo de avião. Fez o vôo num monoplano Bleriot, de 50 cavalos, com apenas um pouso em Guaratinguetá, para reabastecimento.
Por falta de gasolina, Edu teve que descer na praia de Mangaratiba, onde foi socorrido por pescadores. São Paulo recebeu-o em grandiosa festa, na sua volta, dia 8 de maio. Descrito pelos jornais como musculoso, de 1.88m de altura, 90 quilos, Edu Chaves compareceu naquela mesma noite ao cine Bijou para assistir ao documentário A chegada do aviador brasileiro Edu Chaves, filmado por Antonio Campos. Durante a exibição, houve uma série de aplausos.
Oito anos depois, Edu Chaves alcançaria outro feito inédito. Em novembro de 1920, ele emprestou da Força Pública um avião Oriole de 150 cavalos e fez a travessia entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, uma prova que já tinha levado ao fracasso alguns outros aviadores.
Simultaneamente ao seu vôo, saiu de Buenos Aires, o aviador argentino Hearne, com seu aparelho Bristol, para fazer a travessia ao contrário. O avião de Hearne, porém sofreu uma pane em Sorocaba e não pôde prosseguir a viagem, para a felicidade da torcida brasileira, em clima futebolístico de Brasil-Argentina.
Os jornais então costumavam afixar nas portas de suas redações, os telegramas que chegavam com as últimas notícias, causando pequenas aglomerações de transeuntes, principalmente em ocasiões especiais. Durante o vôo de Edu, aqueles locais mantiveram-se sempre cheios, e o júbilo foi geral quando um telegrama anunciou a chegada do aviador a Buenos Aires.
Apesar de sua aparente timidez, Edu Chaves, falecido em 1975, já ganhara popularidade na cidade, mesmo antes de suas conquistas aviatórias, com suas evoluções nos rinques de patinação. No penteado masculino, ditou moda, fazendo os rapazes abandonarem os cabelos em “pastinha” para usá-los atirados, alisados para trás.
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