Independência ou Morte

Eugênio Egas

INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
(VIVA O PRIMEIRO REI DO BRASIL)

O dia 29 de novembro de 1871, ás 4 horas e meia da tarde, com 75 anos, faleceu em sua residência, ao largo de S. Gonçalo, nesta capital, o padre Dr. Ildefonso Xavier Ferreira, nascido em Curitiba a 19 de agosto de 1795. Referem os cronistas do tempo, que o padre Ildefonso foi grande orador sagrado, sendo certo que deixou muitos dos seus melhores sermões em manuscrito, tendo sido impressos alguns deles. Foi paulista dos mais distintos, patriota caloroso, e intemerato. Ocupou sempre lugares e cargos importantes. Dotado de grande atividade e exemplar capacidade de trabalho, o padre ildefonso achava tempo para tudo. Político, atendia sempre, a qualquer hora e de boa vontade, os seus amigos leais e dedicados; sacerdote, não faltava aos deveres do seu sagrado ministério; funcionário público, causava inveja pela sua austeridade inteligente e rigoroso cumprimento de suas obrigações, que sabia desempenhar com brilhantismo. E nem podia ser de outro modo conquistada, por ele, a confiança que sempre, em sua tão longa vida, mereceu dos governos e da sociedade paulistana.
Logo que recebeu as ordens sacras foi a Sorocaba, onde cantou a sua primeira missa. Depois, regressando a esta capital nela se fixou definitivamente, residindo desde 1822 até 1871, na mesma casa, ao largo de S. Gonçalo, hoje praça João Mendes nº 10. Foi oficial guarda-livros da secretaria da Academia e substituto da cadeira de filosofia. Bacharelou-se em 1834, defendeu teses em 1837. Lecionou teologia dogmática e moral, latim, retórica e filosofia. Exercer os cargos de argüidor e examinador dos candidatos aos lugares eclesiásticos e administrativos e de professores de primeiras letras. Colaborou nas comissões do conselho geral (1828) e do governo. Foi promotor do bispado, inspetor da instrução publica e sucessivamente juiz de paz, vereador e deputado provincial. Secretariou o cabido desde 1841 até 1870. Em todos estes postos conquistados pelo talento e por uma forte influência pessoal e política o padre Indefonso revelou os seus dotes morais, que tão bem se uniam aos seus dotes físicos. O padre Ildefonso era um homem bel. Alto, de estatura fora do comum, hercúleo, proporcionado, muito claro, cabelos louros, ligeiramente crespos, olhos azuis, grandes, rasgados, fulgurantes, derramando sobre a sua face uma luz serena de bondade, boca pequena com dentes muito brancos, lábios finos, que, em leve sorriso, deixavam perceber a doçura de um coração sempre aberto ao bem, distinto de maneiras, sempre esmeradamente trajado, atraente, o padre Ildefonso não podia jamais dissimular a tenacidade, a energia e a coragem que lhe adornavam o impoluto caráter e o patriotismo audacioso e atrevido. Quem dele se aproximasse, adivinhava em seguida o talento e o patriotismo que nele se fundiam. Era homem para agir e dominar. Tal o padre Ildefonso Xavier Ferreira em 1822. Pode-se muito bem compreender, que um homem assim gozasse de funda influência na sociedade paulista, que ele freqüentava com assiduidade, encantando a todos por sua fina educação, agradabilíssima presença e variados conhecimentos, que sabia patentear e com modéstia.
S. Paulo, em 1822, não contava mais de dez mil almas incluindo-se no cálculo a população escrava e os moradores dos bairros vizinhos. Era uma pequena cidade: a rua do Carmo, o largo do Colégio, a rua do Rosário, a rua de S. Bento, a rua Direita, o largo da Sé, constituíam o centro principal.
Para os lados do largo de S. Gonçalo, a cidade terminava ao desembocar-se no largo do Pelourinho, existindo estreita passagem entre a casa do padre Ildefonso e uma outra, que desapareceu, unida á egreja dos remédios. Era neste ponto que se recebiam as altas autoridades, que vinham de Santos, e que lhes entregava a chave da cidade, chave que era de prata, com relevos dourados. Daí, era seguir quase pelo deserto a rua da Glória, Cambucy e Lavapés, encontrando-se uma a outra chácara, entre elas a da Glória, rua José Bento, esquina da rua Clímaco Barbosa, propriedade de d. Mateus Abreu Pereira, quarto bispo de S. Paulo, onde existia pequena capela sob a invocação de N. Sª. da Glória, cuja imagem é a mesma que se acha no templo de Cambucy; a do coronel Amador Rodrigues de Lacerda Jordão, primeiro barão de S. João do Rio Claro.
Era nesta chácara, que ainda pode ser bem vista e examinada, com as suas estupendas paineiras a lhe imprimirem o cunho secular e poético das tradições históricas de S. Paulo, que pernoitavam, quase sempre, os grandes personagens, que vinham de Santos para o dia seguinte fazer sua entrada solene na capital. Foi nessa mesma chácara que, em 1863, se hospedou d. Sebastião Pinto do Rego, sétimo bispo desta diocese, quando veio assumir o seu alto cargo, proferindo o barão de S. João do Rio Claro por ocasião do banquete oferecido ao digno prelado o brinde de honra, que terminava assim: — ''feliz a província que como esta, conta sacerdotes na sua alta administração política e social: — O exmo. sr. presidente da província é padre, o exmo diretor da academia é padre, o exmo sr bispo é padre..., Presidia a província o padre Vicente Pires da Motta, dirigia a Academia o padre Manoel Joaquim do Amaral Gurgel e era bispo padre Sebastião Pinto do Rego.
Deixemos de parte a ingênua, mas profundamente sincera oração do coronel Jordão.
Para o lado do Bras, o mesmo quase deserto; e os que do Rio vinham para S. Paulo, subiam a ladeira do Carmo, bem fronteira á qual ficava o palácio episcopal, que era na casa que agora tem o nº 20 da rua do Carmo.
Pode-se dizer que a cidade terminava nos largos de S. Bento, ladeira do Acu, largo de S. Gonçalo e largo do Carmo.
A rua principal era a Direita, onde se encontrava o melhor prédio da cidade, propriedade do brigadeiro Manoel R. Jordão e hoje ocupado pelo Hotel de França. Costumes muito simples e vida de trabalho exclusivamente intelectual. Raras casas de comércio. Artes, ofícios, serviço doméstico a cargo dos escravos e dos mestiços libertos ou não. Os paulistas eram grandes patriotas; e a causa brasileira, isto é, a separação de Brasil de Portugal, e a sua conseqüente independência e constituição em nacionalidade distinta, preocupava-os enormemente. O célebre Fico repercutiu aqui de um modp extradordinário e a mocidade paulistana não era mais calorosa que homens novos e velhos em se tratando da Independência. Na vanguarda estava os padres Ildefonso Xavier Ferreira, o padre Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, o padre Diogo Antonio Feijó, que, eleito deputado às côrtes de Lisboa, pedira instruções ao governo da província sobre a atitude que deveria assumir,se se tratasse da Independência, Antonio Mariano de Azevedo Marques (Mestrinho) os três irmãos Andrada, Manuel Rodrigues Jordão, dr. Justiniano de Mello Franco (médico), Francisco da Paula Souza e Mello, André da Silva Gomes, Antonio Leite Pereira da Gama Lobo, Daniel Pedro Muller, Cândido Xavier de Almeida e Souza, Antonio da Silva Prado, padre Vicente Pires, Joaquim Floriano de Toledo (nomeado secretário do príncipe regente no dia 7 de setembro de 1822) José Inocêncio Alves Alvim, general José Arouche de Toledo Rendon, José Antonio Pimenta Bueno (Marquês de S.Vicente) Bernardo José Pinto Gavião Peixoto, dr. Gabriel André Maria de Paris (médico) e coronel José Joaquim César. Estes eram os patriotas em evidência, e que nenhuma reserva guardavam sobre o seu modo de pensar. Eram brasileiros, antes de mais nada. O Brasil seria independente, havia de ser uma grande nação. Queria um governou autônomo. Nada mais com Portugal, nem de Portugal.
Assim se exprimiam eles. O partido contrário já não tinha a coragem de combater a Independência, mas a julgava inoportuna, pretendia que se não a precipitasse.
Estas duas correntes opostas, chocaram-se violentamente em certa ocasião e houve a Bernarda de Francisco Ignácio. O príncipe regente entendeu então ser conveniente a sua presença em S. Paulo e para aqui veio, partindo do Rio de Janeiro a 14 de agosto de 1822, entrando somente nesta capital, no dia 25 de (vide anexo, nº 1 ).
Foi recebido á meia ladeira do Carmo pelo bispo, cabido, tropa, autoridades e grande massa popular.
Subiu-a sob pallio, um parque de artilharia, postado no largo do Carmo, deu as salvas de ordenança.
S.A assistiu na Sé ao ''TE-DEUM '' que se cantou, e, em seguida, recolheu-se ao palácio. A cidade achava-se em festas, e o partido brasileiro esmerou-se na ornamentação da cidade, colocando arcos de triunfo, com inscrições patrióticas, no largo da Sé, do Palácio e outros pontos. Em Mogy das Cruzes, o príncipe não recebeu os emissários do governo e da câmara da capital, ''porque representavam um governo já dissolvido'' e, no dia 26, em que houve beija-mão e cortejo em palácio, d. Pedro, ao apresentar -se ao coronel Francisco Ignácio (o chefe da bernarda ) mostrou-se muito contraído, não lhe estendeu a mão, e mandou que se retirasse, ''em continente '', para o Rio. Já no dia 24, em que pernoitou na Penha, o príncipe ordenaria que se retirassem da cidade muitos dos que se haviam envolvido no movimento subversivo de 23 de maio. Foram nomeados governador das armas de S. Paulo, inteiramente, o coronel José Joaquim César de Cerqueira Leme; e oficial da gabinete do príncipe, Joaquim Floriano de Toledo, depois coronel, e vice-presidente da Província. D. Pedro foi hospedado pelo brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão e capitão Antônio da Silva Prado, depois barão de Iguape. No dia 5 de setembro o príncipe partiu para Santos, em visita da família Andrada, ali esteve o dia 6, e, no dia 7, ao alvorecer, regressou para a capital. No lugar denominado - Moinhos - d. Pedro mandou que a sua guarda avançasse, e o fosse esperar perto da cidade.
A guarda avançou, e fez alto nas margens do ribeirão Ipiranga.
Dentro de poucos minutos, seria entoada a epopéia da Independência.
Nesse mesmo dia 7, chegaram do Rio, trazendo correspondência urgente endereçada ao príncipe por sua esposa e pelo ministro José Bonifácio, o major Antonio Ramos Cordeiro, da guarda de honra, e Paulo Bregaro, oficial do Supremo Tribunal Militar.
Informado de que S.A se achava em Santos, os mensageiros para ali se dirigiam a toda a pressa. No Ipiranga, encontraram a guarda de honra descansando, nas proximidades da pequena venda do alferes Joaquim Antonio Mariano; e sabendo que o Príncipe não podia estar longe, vão a seu encontro. Eram 4 horas e meia da tarde do belíssimo Sábado7 de setembro de 1822, quando o príncipe surgiu do alto da colina do Ipiranga, no lugar em que está o Museu, encontrando o Major Cordeiro e o oficial Bregaro. Estes apeiam-se, beijam-lhe a mão e o major Cordeiro entrega a correspondência.
S. A. montava um cavalo zaino, e trajava pequeno uniforme:— farda azul, botas de verniz justas e altas, chapéu armado com tope azul e branco. Acompanhavam-no nesse momento Joaquim Maria da Gama Freitas Berquó, João Carlota, João de Carvalho e Francisco Gomes da Silva. O príncipe lê a correspondência:- a princesa e o seu ministro comunicam-lhe que as cortes portuguesas ordenam que S.A. regresse para Lisboa. Afim de visitar incógnito as diferentes cortes européias, e que o Brasil voltasse ao regime de colônia, sendo declarados nulos todos os atos praticados pela regência. D. Pedro sente-se aflito, o seu peito arfa num movimento apressado; e com a mão esquerda comprime o coração que palpita dolorosamente. Depois, calmamente, entrega as cartas ao seu ajudante de ordens major Francisco de Castro Canto Melo e diz á meia voz: '' Tantos sacrifícios feitos por mim, e pelo Brasil inteiro! E não cessam de cavar a nossa ruína!...".
Arranca a espada e grita: - "Independência ou Morte!".
S. A esporeia o animal, e a grande galope avança para o lugar em que se achava a guarda de honra, que era comandada pelo coronel Antônio Leite Pereira da Gama Lobo. A sentinela Miguel de Godoy Moreira e Costa brada as armas, a guarda forma precipitadamente, faz as continências e ninguém pode dissimular a estranheza que causa a atitude do Príncipe e da sua guarda de pessoa:- todos de espada desembainhadas e anunciando, nas feições alteradas e nos olhares de um brilho ofuscaste , a gravidade do que se estava passando. O príncipe exclama:- " Camaradas! As cortes de Portugal querem mesmo escravizar o Brasil; cumpre, portanto, declarar já a sua Independência. Estamos definitivamente separados de Portugal".
E estendendo a espada repete com toda força dos seus robustos pulmões:- " Independência ou Morte!"- Este grande e glorioso grito é repetido, é jurado, á luz vibrante das espadas dos guardas de honra e de pessoa, e a sagrada colina do Ipiranga o recolhe para transmiti-lo nas asas da sua veloz viração aos mais recônditos pontos do imenso território nacional.
Depois, ordena S.A . : "Laços fora" (e arranca do chapéu o tope português, que arroja ao chão).
Todos os presentes arrancam, alguns cortam em pedaços os laços que tinham no braço esquerdo.
" Dóra avante traremos todos outro laço da fita verde e amarelo. Serão as cores nacionais".
E mais uma vez o formidável grito da Independência reboou pôr aquela colina abençoada.
D. Pedro e sua guarda de pessoa partiram para a capital.
A guarda de honra seguiu-o a certa distância. Eram cerca de 5 e meia da tarde, quando os sinos da Boa Morte, depois os do Carmo, Santa Thereza e Sé anunciaram a chegada do Príncipe.
Quem vem do Ipiranga, pela estrada velha, ao chegar a uma eminência, vê, de repente, a cidade de S. Paulo, distinguindo, claramente, a torre da egreja da Boa Morte á esquerda, na frente. A do Carmo, á direita; ao fundo a de Santa Thereza, e, mais afastada a da Sé. Era na torre da Boa Morte que ficavam, de vigia, quando se esperavam altos personagens, vindos de Santos, aos encarregados de dar aviso á cidade. De modo que, como se sabia, que o príncipe voltaria de Santos, no dia 7, á tarde, os espias já se achavam na torre da Boa Morte, olhos fixos para as bandas do Ipiranga, á espera de perceber, na eminência da estrada, o vulto da comitiva.
Logo que Boa Morte dava o sinal de chegada, as demais egrejas o confirmavam, e a população, autoridades civis e militares, punham-se a postos para cumprimento de deveres e satisfação de curiosidade.
Nesse dia, porém, entre o sinal dado pelo sinos e a chegada do Príncipe, foi menor o tempo decorrido, porque S.A. vinha rapidamente. Eis porque muitos não o viram chegar.
D. Pedro, saindo da estrada do Ipiranga entrou no largo do Cambucy, seguiu a rua do Lava-pés, subiu a rua da Glória, chego ao largo do Pelourinho ( Sete de Setembro) penetrou no largo de S. Gonçalo (praça João Mendes) desceu a rua de S. Gonçalo (Marechal Deodoro) passou pela rua de S. Thereza, tomou a rua do Carmo e chegando ao largo do Colégio ( do Palácio) recolheu-se ao paço. As pessoas, que viram o príncipe chegar, notaram logo que algo de anormal se passara.
Na casa da rua do Carmo, atual n-9, residia o capitão Antônio da Silva Prado, que se achava á janela, em baixo, em companhia do padre Ildefonso. Fizeram sinal ao major Francisco de Castro, ajudante de ordens do príncipe, como perguntando o que havia. O major logo que deixou S. A . R., voltou e narrou o ocorrido no Ipiranga aos seus amigos, dando-lhes a gratíssima notícia de que o Brasil estava independente. O capitão Antônio Prado dirigiu-se imediatamente a palácio, pondo-se á disposição do Príncipe e ao serviço da Independência, e o padre Ildefonso apressou em ir participar aos seus amigos a vitória da causa brasileira, que com tanto ardor defendiam. Já a cidade conhecia o grandioso acontecimentos, quando, quase muito fechada, deu entrada a guarda de honra, que vinham a galope, e erguendo vivas ao príncipe, á independência, ao Brasil, a S. Paulo. O povo, que enchia o largo de S. Gonçalo, acompanhou a guarda de honra que, no meio de enorme alarido e dos gritos entusiásticos erguidos em honra a D. Pedro, desceu a rua de S. Gonçalo, atravessou largo da Sé, fazendo alto no largo do Colégio, onde recebeu ordens para recolher-se. A cidade iluminou-se, a população afluiu em massa para a rua e a todo o momento ouviam-se gritos de alegria. Pequenos conflitos deram-se na rua da Boa Vista e na ladeira do Acú (de São João) sendo esbordoados portugueses e inimigos da Independência. O Príncipe ordenou que se preparasse um espetáculo de gala, compôs o hino da Independência, que foi partiturado e ensaiado pela orquestra do tenente- coronel maestro André Gomes da Silva, mestre de capela da Sé, hino que foi cantado na Ópera pelo próprio príncipe e pôr distintas senhoras da melhor sociedade paulistana, entre elas a sra. D. Maria Alvim, sob a regência do referido maestro André da Silva. O príncipe " fez em papel um molde de legenda - Independência ou Morte- que foi executado pelo ouvires Lessa, á rua da Boa Vista, apresentando-se no teatro já com esse distintivo da legenda. " Os demais espectadores, senhoras e cavaleiros, traziam laços de fita verde e amarelo. É de lastimar-se que tão extraordinário acontecimento não tenha sido longa minuciosamente registrado.
De modo que os investigadores de agora são forçados a um trabalho penoso e a recorrer, repetidas vezes, á tradição. S. Paulo agitou-se enormemente nesse memorável dia 7 de setembro, Sábado, durante os dias 8 e 9 os festejos continuaram com o mesmo entusiasmo, retirando-se o príncipe para o Rio no doa 10 pela madrugada. É fácil de imaginar a agitação que se alastrou pôr todo S. Paulo.
Quando se pensa que tendo chegado o príncipe às 6 horas mais ou menos da tarde, já às 8 horas da noite o teatro estava repleto. Achando-se todas as pessoas em vestidos de festa,O ouvires Lessa trabalhou com frenesi até tarde; o padeiro inglês de nome Eduardo, estabelecido á rua de S. Bento, viu-se sem poder atender a muitos dos pedidos de fornecimento para o espetáculo; e as costureiras do tempo, entre elas Anna Perpétua, a Ritinha de Cássia e a Domingas Xavier, foram insuficientes para servirem as senhoras e senhoritas, que se preparavam para ir á Ópera. Os poetas e literatos escreveram e recitaram versos, nos intervalos do espetáculo e os músicos, sob a batuta de André da Silva, viram-se obrigados a adivinhar a partitura do hino, que lhes foi apresentada á última hora.


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