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Brincando de esconde-esconde. Na rua dos Pinheiros

Para o dr. Alberto Lerro Barreto, a rua dos Pinheiros mudou muito pouco, desde que há 50 anos ele comprou ali, duas casas contíguas. Mas a rua dos Pinheiros de hoje está longe de ser aquela picada da infância do sr. Jurandir Índio do Brasil Goldsmith. Pela picada, há mais de setenta e cinco anos, vinham o sr. Jurandir e seus amigos de infância, brincando de esconde esconde, desde o largo até a da rua da Consolação, onde as matinês dominicais do cine América os esperava.

O Cine América

O cine América nasceu em 1912, com o nome de Biógrafo Variedades. Ficava na rua (hoje Avenida) da Consolação, à altura do número atual 2004, mesmo lugar que foi depois, por uns tempos, o auditório da TV-Record, mais tarde, um bar noturno chamado 2004 e agora é uma casa de lustres.
Em Pinheiros e em toda a região, o primeiro cinema só surgiu em 1925, chamava-se Santa Luzia e localizou-se à altura do número 68 da rua Butantã, onde posteriormente funcionou a Mesbla. Pinheirense que queria ver cinema, então, tinha que vir ao América e tão famoso foi esse cinema no passado que até a escritora Zélia Gattai lembra dele em suas memórias.

Memória

Por causa do cinema América, a Rua dos Pinheiros de antigamente está presente na memória do sr. Jurandir. Por ela, e por todo o bairro de Pinheiros, avançavam as boiadas antigamente — ele também se lembra — e ai de quem cruzasse os seus caminhos quando elas desembestavam. Uma vez, o sr. Jurandir conta, uma boiada entrou na igreja do largo de Pinheiros e pôs em polvorosa os fiéis encurralados.

Agência

Quando o sr. Antonio Sorrentino veio morar na Pinheiros, a rua já não era aquela picada dos tempos de infância do sr. Jurandir, mas estava igualmente bem longe do que é hoje. Basta um exemplo: a casa do sr. Sorrentino despareceu para dar lugar a uma agência do Banco Itaú.

Batateiro

O pai do sr. Antonio Sorrentino, o sr. Giuseppe, era batateiro ambulante, com sua carrocinha ia desde a atual República do Líbano até a praça General Osório, vendendo sua mercadoria. Nas pegadas do pai, o sr. Antonio também foi carroceiro. Seu filho José herdou o gosto paterno pelas vendas de batatas, mas neste ponto, o sr. Antonio Sorrentino comprou um caminhão Tigre para o trabalho da família. E veio morar na rua dos Pinheiros.

Casa

Ali, ele construiu uma casa pequena. O progresso chegou, conta a sua filha Iolanda, e ele resolveu construir uma casa maior. Na época, a rua Rebouças ganhara asfalto, ficara larga e se transformara numa avenida. Aproveitando o fato de que seu terreno ia de uma rua à outra, o sr. Antonio Sorrentino construiu a casa agora com a frente para a rua Rebouças. Dona Iolanda, porém, gostava mais da primeira: "Talvez, ela não fosse nem melhor, nem mais bonita", dona Iolanda relembra: "Mas, era cercada de árvores".


VOLTA - SÃO PAULO ANTIGO

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