Escravos

Foi no final do século XVI que os escravos negros apareceram em S.Paulo (os documentos de antes falam de "negros da terra", mas eram os índios). De início, os africanos eram poucos, demandavam um alto custo.
Pagava-se seu preço conforme a idade — fator de influência decisiva — e seu físico. Sobre a transação recaiam ainda impostos, variáveis conforme a procedência: os de Angola tributavam-se com 6 mil réis, os da Costa de Mina, com três mil. O sexo não alterava o custo, mas as mulatas eram muito valiosas.
Havia ainda uma taxa anual de hum mil réis por cabeça. Todos os escravos destinados à cidade obrigatoriamente passavam por uma quarentena, nos subúrbios, para evitar o "contágio das bexigas". A população escrava da cidade cresceu aceleradamente após o dinamismo gereados pelas lavouras cafeeiras que começavam a fazer da Província de São Paulo, o centro econômico do Brasil. Trazidos a alto preço de Minas Gerais e outras regiões, os escravos perfaziam, em 1866,uma população de 800 mil pessoas (para toda a província) . Sete anos depois, o número duplicou.
Tal situação deu mais ênfase ainda as vozes que clamavam pela extinção da escravatura, principalmente na Faculdade de Direito, centro da campanha abolicionista, cujo precursor, Luís Gama, era um ex-excravo. Já em 1863, alguns escravos haviam sido libertados, graças a uma sociedade acadêmica denominada "Fraternização".
Os escravos estavam proibidos de comprar certos produtos, entre eles, a cânfora, não se sabe por que a razão. Em 1718,existia uma resolução da Câmara Municipal "sobre negros e negras que andavam com paus e com facas".
As fugas de escravos começaram logo depois de sua chegada a São Paulo. Em 1737, convocava-se um capitão de infantaria para, servindo-se dos soldados que fossem necessários, caçar negros fugidos. Logo depois, encarregar-se-ia da caça aos negros fugidos, os temíveis "capitães-do-mato".
Já em 1747, tomavam-se medidas "para se evitarem os insultos e roubos que faziam os negros fugidos por serem muitos os escravos que andavam fugidos fazendo roubos execrandos". Os fugitivos reuniam-se nos arredores das cidades formando comunidades chamadas de calhambolas ou quilombos. Daí, alguns bandos saiam em excursões para roubos e assaltos nos arrabaldes ou mesmo na região central, uma espécie de versão dos "arrastões" modernos.
Diante do surgimento dos calhambolas, outra lei, esta de 1748, criava nova proibição para os negros. Cogitava-se, então, que os calhambolas mantinham "espiões" na cidade e a lei recomendava ser "contra o bem comum os negros que se ajuntam em maloca a jogar pelos arredores da cidade, e com batuques e juntamente as negras de tabuleiros o saírem fora das rios da cidade porque costumam avisar os calhambolas e fazer outros malefícios",
Proibia-se também a "capoeira" e em 1857 pedia-se na Câmara que não se concedesse licença para "os folguedos denominado Caiapós e outros de reuniões de preto". Ainda em 1879,vigorava uma lei que, sobre os escravos, rezava: "Encontrados na rua depois do toque de recolher, sem bilhete dos seus senhores, são recolhidos à prisão até o dia seguinte. São proibidos o ajuntamente e "vozeria" deles nas casas comerciais e lugares públicos".
Não pesava proibição nenhuma, porém, para algumas famílias que usavam escravas, as chamadas quitandeiras, para vender guloseimas nas ruas.

Veja também
Caiafases

Calhambotas e Quilombos

Capoeira

Danças de rua

Escravos e Ordens Religiosas

Peças com defeito


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