O Estado de S.Paulo

Estudantes, funcionários públicos e tropeiros compunham grande parte da população de 20.000 habitantes e 2.999 prédios de S. Paulo em 1875. Nas vias públicas, lamacentas e descuidadas, quase sem trânsito, mergulhada em silêncio e tristeza, ouvia-se a longo espaço, o pregão de um negro vendedor ambulante, ou quitandeiro, como se dizia. Então a 4 de janeiro daquele ano, começou-se ouvir também a voz de Bernard, um francês meio "aluado" que, montado num burro, maço de jornais debaixo do braço, tocava espaçadamente uma corneta e anunciava a venda de um novo órgão de imprensa: "A Província de S.Paulo, A Provincia de São Paulo".

A cidade tinha na época dois jornais diários: O Correio Paulistano e o Diário de S.Paulo (o primeiro dos dois jornais paulistanos com esse nome que houve). Ambos os periódicos, na prática, eram jornais oficiais. A Província de S.Paulo, futuramente O Estado de S.Paulo, com redação na antiga rua do Palácio (hoje Anchieta), anunciava-se desvinculado de partidos, mas se confessava entusiasta da democracia. Trazia o seu título em grandes caracteres romanos e compunha-se de formato regular, com seis largas colunas. Pertencia a uma sociedade em comandita e era redigido por Rangel Pestana e Américo Brasílio de Campos. Administrava-o José Maria Lisboa, que viera do Correio Paulistano.



Esta página foi produzida por Maturidade Vídeo e Editora