Padre Feijó

Numa época em que um padre ter filhos era um fato corriqueiro, mas falar-se na possibilidade do seu casamento correspondia a um sacrilégio, o padre Diogo Antonio Feijó ousou apresentar à Assembléia Geral, em 1827, projeto de abolição do celibato clerical. No mesmo ano, para atiçar mais ainda a ira da cúria romana, publicou um folheto sobre o assunto.
A reação, evidentemente, não se fez esperar. Mesmo assim, ele se manteve firme em sua opinião, e só desistiu, em 1838, quando publicou uma declaração de fidelidade às normas da igreja católica.
O nome do pe. Feijó está também ligado à história da filosofia no Brasil. Foi ele um dos primeiros brasileiros a se referirem ao pensamento de Kant.
De pais desconhecidos, criança enjeitada, o padre Feijó ordenou-se em 1809, aos 25 anos, na cidade de São Paulo, onde nasceu. Mais tarde, pôs de lado os serviços eclesiásticos para dedicar-se à política.. Deputado às cortes de Lisboa,e m 1821, abandonou-a, juntamente com outros deputados brasileiros, a 6 de outubro de 1822. Já em São Paulo, foi eleito deputado, e, em 1833, senador pelo Rio de Janeiro. Ministro da Justiça, após a abdicação de D.Pedro I (1831) foi nomeado ministro da Justiça, e interinamente, assumiu a Pasta do Império.
Proclamado Regente do Império em 1835, renunciou menos de dois anos depois. Retornando a São Paulo, em 1842, por ocasião da chamada revolta de Sorocaba, de cunho liberal, aderiu ao levante e foi preso. Já em liberdade, faleceu pouco depois, em 1843.
A carreira atribulada do Pe. Feijó não o impediu de dedicar-se aos estudos filosóficos. Na cidade paulista de Itu, ele realizou um curso de Filosofia Racional e Moral, ensinando por um compêndio seu, intitulado Noções Gerais de Filosofia, só publicado em1912, na sua biografia escrita por Eugênio Egas.
Legenda :Pe.Feijó –Litografia de Sebastien Auguste Sisson


VOLTA - ÍNDICE

Esta página foi produzida por Maturidade Vídeo e Editora